Solidão e isolamento social não é a mesma coisa, embora apareçam às vezes inter-relacionados.

Mestre Aurélio (1965) conceitua solidão como “o estado do que se encontra ou vive só” (p. 1127). No entanto, um estado psicológico tão complexo quanto à solidão não cabe numa definição tão simples.

Em termos psicológicos, uma melhor conceituação de solidão deve considerar pelo menos os seguintes aspectos:

– falta de significado e objetivo de vida;
– reação emocional;
– sentimento indesejado e desagradável;
– sentimento de isolamento e separação;
– deficiência nos relacionamentos.

Procuraremos, agora, explicar cada um destes elementos constitutivos da definição de solidão.

Falta de significado e objetivo de vida:A solidão pode produzir um sentimento de alheamento do indivíduo em relação aos demais seres humanos, levando-o a um questionamento sobre as origens e o sentimento da existência.

De onde vim? Para onde vou? são perguntas que podem surgir nestas circunstancias.

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Reação emocional: Geralmente, o sentimento psicológico de isolamento é que caracteriza a solidão.

Sentimento indesejado e desagradável: A solidão, às vezes, pode ser acompanhada do sentimento de angústia, produzindo um sofrimento a mais naquele que está privado de relacionamentos íntimos mais duradouros.

Sentimento de isolamento e separação: É a constatação psicológica do estado de solidão.

Deficiência nos relacionamentos: Esta é uma das características de grande parte dos solitários, que culmina por produzir uma espécie de feedback em todo o processo de solidão, realimentando-o.
Neste sentido, a solidão seria uma resposta à carência de relacionamentos sociais e afetivos.

Pelos elementos apontados por Tamayo (1984), o que caracteriza a solidão é o seu aspecto puramente psicológico.

É o sentimento de estar só, acompanhado da constatação da separação emocional do outro. É a falta de interação e de comunicação emocional entre um indivíduo e outro ser humano. O outro pode, inclusive, estar próximo geograficamente; no entanto, a solidão impede qualquer aproximação psicológica, afetiva.

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Como ocorre com o solitário em meio à multidão: todos estão presentes e, ao mesmo tempo, tão distantes, próximos e, todavia, separados. “A solidão não é a mesma coisa que estar só. A solidão é sentir-se só”. (Ellison, 1980, p. 29)

Isolamento social já difere de solidão.

Refere-se mais aos aspectos físicos da separação. “Significa a privação de contatos sociais” (Cabral, 1971, p.206).

Dantas (1993) conceitua isolamento social, classificando-o em isolamento social passivo e isolamento voluntário.

Isolamento social passivo é “aquele fenômeno de privação social contínua ou variável que ocorre à revelia do sujeito, ou seja, aquelas contingências de vida ou situações sociais que determinam um indivíduo a afastar-se involuntariamente do seu contexto social” (Dantas, 1993, p. 11).

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Caracteriza-se geralmente, pelo caráter coercitivo e imposto da separação social.

Já o isolamento social voluntário é composto por “aquelas formas de isolamento onde o sujeito é o elemento ativo do processo, isto é, é ele quem, espontaneamente e sem sofrer qualquer pressão externa, anseia e busca tal distanciamento do seu meio social habitual, seja por um período de tempo restrito, seja por um período prolongado.” (Dantas, 1993, p. 13)

Weiss (1971, apud Ellison, 1980) sugere que existem dois tipos de solidão: o isolamento social e o isolamento emocional.

O primeiro, isolamento social, é o afastamento de um determinado grupo social. O segundo, isolamento emocional, é a falta de relacionamentos afetivos satisfatórios com outra pessoa.

Kruger (1994) distingue isolamento social de solidão a partir do sistema de interação e das relações interpessoais do indivíduo. Diz ele:

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“Na interpretação do isolamento social e solidão: o primeiro refere à experiência sentida por muitos, e objetivamente mensurável, de que são qualitativa e numericamente pobres os contatos e relações que tem com outras pessoas; a solidão, entretanto, é a dramática vivência do sentir-se sozinho, sem vínculos, sem conexão afetiva com outros, enclausurado. Esta última, em relação à primeira, é mais significativa para nós, especialmente sob a perspectiva existencial.” (p.9).

Dantas (1993) estabelece algumas relações entre isolamento social e solidão. Afirma ele: “Pode haver isolamento social acompanhado do sentimento de solidão; pode haver isolamento social sem o sentimento de solidão; pode haver solidão em situação de isolamento social; pode haver solidão sem situação de isolamento” (p.10).

O isolamento é o estar só, sem o sentimento de solidão. A solidão é o sentir-se só.

(Autor: Dr. Antonio Maspoli)
(Fonte: psicoterapidavidacotidiana.wordpress.com )
* Adaptação livre de Fãs da Psicanálise )

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