Já parou para pensar se você se considera uma pessoa interessante, agradável e fácil de se relacionar?

Como você avalia a sua convivência consigo mesmo?

Você consegue lembrar rapidamente qual foi a última vez que apreciou estar na própria companhia?

O ficar sozinho – nem que seja por poucas horas – pode ser enlouquecedor para muitas pessoas que logo dão um jeito de se distrair delas mesmas, seja através da televisão, do celular, dos afazeres domésticos ou de outra atividade qualquer, como compras, leituras ou exercícios físicos. “

Ué, mas por que não poderia usar esse tempo para fazer essas coisas?” Você pode estar pensando… Não é que não poderia, o problema nesse caso é ter que fazer.

Essa necessidade de estarmos ocupados o tempo todo ajuda a mascarar o sentimento da solidão e dá uma falsa sensação de preenchimento.

Mas advinha! Tenho uma novidade: sim, você é sozinho(a) nesse mundo e sentir-se assim de vez em quando é absolutamente comum e até saudável.

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Este sentimento que todos(as) temos – mas que poucos permitem vivê-lo – não está relacionado a falta de afeto da família, amigos ou parceiros amorosos.

Portanto, você pode ser uma pessoa muito amada e, ainda assim, se sentir sozinha às vezes.

Mas existem formas e formas de encarar os momentos sem a companhia de outras pessoas. Em um trecho do poema “Meu Deus, Me dê a Coragem”, Clarice Lispector escreveu:

“Faça com que minha solidão me sirva de companhia.

Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.

Faça com que eu saiba ficar com o nada.

E mesmo assim me sentir

Como se estivesse plena de tudo.”

A solidão não precisa ser sentida como um peso ou infelicidade, ao contrário, você pode se surpreender descobrindo que é a sua melhor companhia.

Quando você se deparar com esse sentimento, antes de sair fazendo mil coisas ou antes de ficar triste e se afundar em sentimentos negativos, pergunte para si como desfrutar da melhor forma desses momentos, que, podem ser raros para alguns e frequentes para outros.

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A quantidade não importa, o que interessa é que você os encare enquanto oportunidades de crescimento. Ao praticar o que te faz bem e as possibilidades de como se agradar, progressivamente, você vai perceber que gostar da sua companhia fará você se sentir mais confiante, mais autêntico(a) e com mais disposição para se relacionar com os outros.

Quanto mais leve for em relação a você mesmo(a), mais leve será as suas relações. Quanto mais interessante você se achar, mas olhares interessados surgirão. Quanto mais se valorizar, mas valorizado(a) você será. E assim por diante…

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Apreciar, amar, gostar, estar em paz consigo não é uma questão de opinião. É um pré-requisito para uma vida feliz em qualquer país, cultura, idade…

Charles Baudelaire disse: “Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão.” Portanto, descubra a riqueza do seu mundo interno e cultive a sua companhia e a relação você-mundo não será mais a mesma. Que tal começar agora?

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Rosa Abaliac
Psicóloga e mestre em Psicologia Social. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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