No século XXl, desenvolveu-se a ideia do relacionamento aberto como o relacionamento ideal. Fundada numa concepção de liberdade e amor, diversos casais se abriram aos relacionamentos abertos.

Num relacionamento aberto, tem-se mais liberdade para sair com os amigos, conhecer novas pessoas e até mesmo experimentar novas sensações com outros companheiros.

Buscando minimizar a suposta composição arcaica dos ciúmes e maximizar o direito basilar à liberdade. Assim, os relacionamentos abertos se mostraram como uma solução moderna e eficaz aos tempos modernos.

No entanto, a história não é feita de colapsos. Foram anos e anos para constituir os algoritmos mentais, que são expostos nas relações sociais. O ser humano é formado pela interelação entre organismo e sociedade, pois os nossos sentimentos são meras reações químicas, que são liberadas por circunstâncias moldadas socialmente.

O nosso corpo reage para garantir a vida, no qual cada reação representa uma forma de proteção.

A sociedade foi moldando, ao longo do tempo, certas reações no organismo de formam um padrão de segurança. Portanto, um sentimento tão profundo não pode ser modificado tão simplesmente.

Com os passar dos anos, pude perceber que todos os conhecidos que tentaram um relacionamento aberto fracassaram. No início, tudo era perfeito e a liberdade era algo maravilhoso, mas com o passar dos anos nada continuava como antigamente. Os relacionamentos abertos entram em crise, porque não consideram os anos de formação dos sentimentos sociais.

A nossa concepção de amor, solidariedade, liberdade são criações sociais, porque não há sentimentos parecidos fora do contexto humano. Nosso organismo foi sendo programado para reagir de acordo com cada emoção e moldado a fim de garantir a existência da sociedade. Somos fundados também em sentimentos de posse, poder, carência, ego que impedem que os relacionamentos abertos, nos dias atuais, dêem certo.

Depois de um certo tempo, as partes começam a sentir a falta de poder em relação ao outro, começam a criar ciúmes e implicar com certas ações. Como você lidaria com a sua companheira com outra ou outro? Como você lidaria com sua companheira dando mais atenção a outra ou outro? Como você se sentiria sem um mínimo de controle e sugurança?

Mesmo quando os relacionamentos abertos tentam superar, entre tapas e beijos, essas divergências, inicia-se a etapa das crises de depressão, ansiedade e insegurança. É repentino que pessoas em relacionamento aberto sofram de lapsos de ansiedade e insegurança, exatamente por falta de controle.

Além disso, é frequente a negação desses sentimentos para demonstrar maturidade e força frente aos sentimentos tão profundos e necessários. Tais negações são frutos exatamente dessa insegurança criada pela falta de controle.

Tudo parece bonito e lindo no início, mas depois se torna um caos na mente. Na frase de Rousseau, o homem nasce bom e a sociedade o corrompe, destaca-se certamente a influência da sociedade moldando os sentimentos.

Fomos criados para sentir sentimentos considerados atualmente como mesquinhos. A mudança deve ser realizada aos poucos, como está sendo realizada. Entretanto, não estamos adaptados para mudanças tão drásticas ainda, tal fato é visto na crise dos relacionamentos abertos.

Por fim, vale ressaltar a falta de perspectiva futura dos relacionamentos abertos. As partes, geralmente, não pensam no futuro. E tal fato é reflexo da nossa falta de capacidade de enxergar o sucesso no pleito.

Como montar uma família num relacionamento aberto? Como ter controle financeiro e emocional num relacionamento aberto? Como manter os pilares dos relacionamentos abertos sem gerar caos? Como superar as crises de depressão, ansiedade e insegurança?

De fato, no futuro possamos encontrar uma solução para estes questionamentos, pois vamos mudando quimicamente aos poucos de acordo com a sociedade. No entanto, hoje em dia, enxergamos, aos poucos, a crise dos relacionamentos abertos.”

Autor: Victor André Santos de Lima, jurista em formação pela UFRJ

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2 COMENTÁRIOS

  1. Por tudo que venho pesquisando e vivendo, acho que o caminho para uma relação aberta é, antes de qualquer coisa, a busca por autonomia do individuo. Enquanto a nossa segurança, autoestima, e bem-estar estiver condicionada a presença de alguém, isso nos levará, invariavelmente, ao sofrimento. Acho que a maturidade nos leva a essa compreensão. Relacionamento aberto ou relações livres são modelos utópicos, ainda, numa sociedade patriarcal e castradora como a nossa, em que a tentativa de controle do outro subjaz a qualquer argumento de fidelidade, monogamia ou arranjo em que a pessoa se vê incompleta.

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