A depressão é vista como uma condição de saúde mental que surge, em muitos casos, durante a adolescência. Muitos associam que a depressão vai se desenvolvendo, ao longo do tempo, com as situações do cotidiano no qual a saúde mental não é levada tão a sério. Isso é verdade, mas existem outros fatores envolvidos.

Filhos de pais com depressão apresentam de 2 a 3 vezes mais chances de desenvolver um transtorno depressivo, quando comparado com filhos no qual os pais não tem esse indício. Estudos apresentam resultados no qual isso é colocado cada vez mais em evidência, porém sem a clareza dos mecanismos cerebrais envolvidos.

Um estudo realizado analisou imagens do cérebro, através de ressonância magnética, de mais de 7000 crianças, no qual cerca de um terço dessas crianças se encontravam no grupo de alto risco por terem um pai com depressão. Nessas crianças, foi possível verificar que a região do cérebro, o putamen, envolvido com recompensa, motivação e experiencia de prazer, era reduzido , em relação a crianças no qual os pais não tinham depressão.

Figura: Associação entre história depressiva dos pais e volumes subcorticais (Pagliaccio et. al ,2019)

O volume menor de putâmen pode significar um fator de risco levando a vulnerabilidade a transtornos mentais. Compreender essas diferenças no cérebro das crianças com fatores de risco é interessante para conseguir identificar, de forma rápida, as pessoas que podem desenvolver a depressão e, desta forma, será possível acompanha-las e apresentar um direcionamento terapêutico no período mais crítico, que é a adolescência.

Pesquisas ainda devem ser aprofundadas para verificar se essa redução do putâmen está associado apenas a depressão ou a distúrbios mentais gerais. Mas, de qualquer forma, fica o adendo. Através desses resultados, já sabemos que o histórico depressivo dos pais pode influenciar na estrutura cerebral da criança e, com isso, esses pais devem ficar atentos e fazer o acompanhamento ao filho, principalmente na fase criança-adolescente, para não desenvolver a depressão. Como sugestão para trabalhos futuros, já existem resultados que mostram que o fNIRS pode servir como marcador biológico para a depressão.

Além disso, vale sempre ressaltar a importância da saúde mental. Por mais que você tenha muitas coisas para fazer, tire um tempo para você, para a sua saúde.

Referências:

Pagliaccio, D., Alqueza, K. L., Marsh, R., & Auerbach, R. P. (2019). Brain volume abnormalities in youth at high risk for depression: adolescent brain and cognitive development study. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry.

Auerbach, R. P., Mortier, P., Bruffaerts, R., Alonso, J., Benjet, C., Cuijpers, P., … & Murray, E. (2018). WHO World Mental Health Surveys International College Student Project: Prevalence and distribution of mental disorders. Journal of abnormal psychology, 127(7), 623.

Hagler Jr, D. J., Hatton, S., Cornejo, M. D., Makowski, C., Fair, D. A., Dick, A. S., … & Watts, R. (2019). Image processing and analysis methods for the Adolescent Brain Cognitive Development Study. Neuroimage, 202, 116091.

(Fonte: brainlatam)

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