Eu assisti ao jantar do Dia dos Namorados do Mais Você, da Rede Globo, da última quarta-feira (12/6), quando Nicole foi rude com o seu namorado Pedro. Para quem não acompanhou, ele aceitou participar do programa que consistia em oferecer um jantar com chef, velas, flores e músicos tocando violino para a sua namorada.

Ela não escondeu a sua contrariedade desde o início. Aconteceu uma sucessão de grosseiras por parte da Nicole. ”Você tá fodid*!“, disparou logo ao chegar. Quando presenteada com um buquê, ela reclamou: “Esse troço tá pesado”. No momento de ser questionada sobre a surpresa, não deixou por menos: “Perdi um dia de trabalho e amanhã acordo cedo”.

A maioria das pessoas a considerou uma bruxa ingrata e teve pena do rapaz, seguindo a lógica de que ele não merecia ser maltratado em público.

Eu acho que o erro partiu de Pedro. Minha compaixão se dirigiu à ela.

É a delicadeza fora de moda entender que aquilo que o outro precisa não é o que você deseja dar.

Nicole é reservada e discreta. Ele deveria conhecê-la (cinco anos de relacionamento). Mas a forçou a fingir felicidade porque tudo estava sendo gravado e transmitido em rede nacional.

Ele pensou somente em si, o quanto ganharia projeção encarnando a figura de romântico, em nenhum momento nela, que abomina a exposição da privacidade.

Por que aceitou o convite, então? Ignorava o que estava planejado, sem condições de adivinhar. Hipoteticamente, talvez fosse qualquer coisa, um passeio de limusine ou um contato com um ídolo, situações menos invasivas. Confiou cegamente em seu namorado.

Qualquer um que sofre com a timidez se veria acuado, encurralado, em pânico. Nicole se mostrou indefesa e reativa. Suas palavras revelam um estado de tensão, absolutamente fóbico. Ela não pode escolher, não pode se preparar e pior: não tinha saída, restava a obrigação de assumir um papel de deslumbrada impossível de cumprir.

Anular a liberdade do próximo gera agressividade. É o mesmo que levar uma pessoa com vertigem ao bondinho do Pão de Açúcar e esperar elogios.

Agradar significa respeitar o temperamento alheio, e não realizar nada que desencadeie crises de ansiedade. Não constranja testando os limites.

O medo é um elo antigo na alma de cada um, com gatilhos desconhecidos e reações inesperadas. Não há como engoli-lo ainda que se sirva a melhor champanhe.

Ele agrediu o ideal de vida de Nicole – pelo seu rosto, estava mais envergonhado do que apaixonado, buscando explicar o motivo, em voz sussurrada, por ter feito aquilo, antevendo, no fundo de si, que jamais iria contentá-la.

Perdeu a chance de adotar um jantar secreto no Dia dos Namorados para que ela ficasse à vontade e não se sentisse julgada, longe dos holofotes. Se ela necessitava acordar cedo, bastava preparar um café da tarde especial. Um omelete e torradas, e já ninguém mais pisaria em ovos.

O amor é a simplicidade da concordância, nunca a extravagância do egoísmo.

Temos que fugir do lugar-comum de que todos aguardam likes e efeitos especiais. Não é verdade. Por exemplo, na hora de pedir a mão de quem você ama em casamento, opte por um encontro a dois, em que é possível dizer não sem torcida. Um sim coagido será sempre uma frustração irreparável.

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8 COMENTÁRIOS

  1. Acho que cada um tem seu jeito e não é obrigado a nada. Mas….. Vocês falaram tão bem dela. Eu vi na tv. Me imaginei na situação e jamais trataria a pessoa que amo com tamanho desdenho. Pura falta de empatia e compatibilidade.
    Não acho que ela precisa virar a princesa do conto de fadas. Só de educação com seu namorado.

  2. Frustração irreparável e ler um artigo tão chulo quanto este, a única vítima nessa história é o cara, a namorada dele assim como o autor dessa publicação não passam de arrogantes, existe uma coisa chamada livre arbítrio, se ela foi no jantar foi de livre e espontânea vontade. Não venha você querer denegrir a imagem do rapaz só porque você é um fracassado.

  3. kkkkk
    “Tímida”, é assim que chamam falta de educação agora?
    Mas foi bom, a máscara caiu. Agora ele parte pra outra e arruma alguém educada, independente da situação.

  4. Concordo plenamente exeto pelo pequeno detalhe todos que gozam de suas faculdades mentais íntegras sem exceção tem diante de si escolhas que geram consequências boas ou ruins e sinceramente nem todos somos ingênuos.

  5. Fabricio, concordo 90% com o que você disse, porém os 10% restantes discordo totalmente. Os argumentos que você deu não justificam a falta de educação dela. Concordo que o homem errou em não levar em consideração a introspecção e a timidez da namorada. Porém, acredito que a mulher errou feio em deixar claro – em rede nacional – que ela carece totalmente de inteligência emocional.

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