O sentimento do ciúme pode se caracterizar por uma dor no peito, um aperto no coração, uma sensação de frio na alma, além de corroer o corpo, o espírito e manifestar-se em diferentes graus. Se considerarmos que o ciúme leva a um estado de mal-estar subjetivo caracterizado por emoções como medo, tristeza, raiva e outras, concluímos facilmente que ele é uma indesejável fonte de adoecimento individual e das relações.

O ciúme é um estado emocional desagradável, normalmente relacionado a alguma ameaça de perda de vínculo com alguém que valorizamos. Além disso, ela garante que todo humano pode ter esse sentimento, como reação a essa ameaça real ou imaginária. Também podemos entender o ciúme como uma falta de confiança em si mesmo e que se estende até o outro como uma forma de projeção da própria baixa autoestima e desvalorização da autoimagem.

Sendo assim, ele pode representar o principal elemento de uma relação tóxica e por isso é importante observar os sinais de demonstração dele através do abuso físico, verbal ou emocional. “Podemos ficar atentos a partir de algumas atitudes ciumentas como: irritação caso o parceiro não esteja disponível, críticas à maneira de vestir, impedimento ou mal-estar quando vai sair com amigos, não deixar o parceiro fazer as atividades que gosta. Além de tentar forçar a fazer sexo quando não deseja.

No entanto, é possível uma pessoa ciumenta manter uma relação afetiva saudável. Ele (a) pode sofrer sozinho com o desconforto de suas inseguranças e baixo autoestima, e não transferir essa emoção para o outro e dessa forma preservar a relação afetiva. O ciúme é uma emoção difícil de suportar, mas é possível vivenciá-la sem “atormentar” o outro. É preciso ter maturidade para compreender que é uma limitação e que precisa ser tratada. É contornar a situação e entender que as pessoas têm comportamentos e atitudes diferentes das nossas porque simplesmente são diferentes.

Fique atento!
O ciúme patológico é o anseio de um domínio total dos sentimentos, pensamentos e comportamentos do outro, desenvolvido pela paranoia de alguma ameaça à estabilidade ou qualidade do relacionamento e visando excluir os perigos da privação do objeto amado. Os sintomas são muito parecidos com o que é experimentado pelos neuróticos obsessivos, como: pensamentos indesejados, intrusos, considerados desagradáveis, irracionais e seguidos de atos de verificação. A pessoa muitas vezes carrega sentimentos de raiva, vergonha, humilhação, culpa, desejo de vingança, relacionado com uma baixa autoestima.

Leia Mais: Ciúme: um ladrão de estimação. Como ele influencia as relações?

Embora o ciúme seja um fenômeno complexo, é uma construção psicocultural de aspectos predominantemente nocivos. Defendo que além de não estarmos condenados a viver com ciúme, podemos exercitar atitudes libertadoras e alcançar uma maior qualidade nas relações e na vida, ao contestarmos certas crenças às quais somos condicionados desde o início do nosso desenvolvimento.

Confira algumas atitudes que podem e devem ser tomadas:

• Zele pela sua autoestima;
• Tenha cuidado com o impulso de dominação;
• Administre a necessidade de segurança;
• Identifique e conteste fantasias e projeções prejudiciais;
• Procure usar a sua inteligência emocional;
• Tenha equilíbrio;
• Aprenda a se controlar;
• Promova a sua comunicação e transparência;
• Não sufoque a outra pessoa;
• Cultive e respeite um espaço de individualidade;
• Desenvolva atividades criativas para a felicidade;
• Busque ajuda profissional.

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Sônia Eustáquia
Colunista da Revista Atrevida cerca de 6 anos, tem formação e trabalho em Psicanálise e Terapia Ericsoniana. Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior, Psicologia e Psiquiatria da Infância e Adolescência, Neuropsicologia e Teologia. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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