O homem é um ser social, disso todos já sabemos. Mesmo os mais tímidos e/ou antissociais ainda dependem de alguma interação social para sobreviverem.

Cada vez mais, no mercado de trabalho, são justamente as habilidades sociais, e cada vez menos as técnicas, que tem sido determinantes não só na hora da contratação, como também na hora da promoção ou de decidir quem permanece na empresa nos momentos de crise. Isso porque tecnologias como a inteligência artificial já podem, tranquilamente, nos substituir em várias tarefas que demandam apenas técnicas; porém, o desafio de desenvolver uma inteligência artificial forte que tenha habilidades cognitivas sociais ainda persiste.

Isso não significa, no entanto, que não tenhamos que buscar aprimorar nossos conhecimentos mais técnicos. A questão não é essa. A questão é onde temos buscado consolidar nossos conhecimentos, com quem temos nos agrupado para tal. Sendo seres sociais, é natural que estreitemos nossos laços, profissionais, acadêmicos e pessoais, com aqueles que são da mesma área, do mesmo curso, da mesma linha de pesquisa. Nada de errado com isso. O problema é se fizermos isso sempre.

Como educadora, isso é muito claro no meu meio. Professores geralmente buscam cursos para professores; vão a congressos, workshops e eventos de educação pensados para professores. Qual é o perigo disso? O perigo é que as chances de permanecermos sempre na mesma bolha são muito grandes. Você pode até expandir a sua bolha ao fazer isso, o que já é melhor do que não participar de evento algum e ficar numa bolha minúscula.

Mas geralmente, se conversamos sempre com o mesmo tipo de profissionais, gente da mesma área que nós, há muito mais convergência de ideias do que divergência de ideias. Estudamos os mesmos autores na faculdade, discutimos as mesmas teorias, temos práticas mais ou menos parecidas. Então sobra pouco espaço para ter uma visão totalmente nova acerca dos problemas. Isso vale para professor e qualquer outro profissional: engenheiro, médico, psicólogo, administrador, publicitário, etc.

Por outro lado, se você se permite estourar essa bolha e explorar cursos e eventos de outras áreas, você vai experimentar um fenômeno maravilhoso que fará sua cabeça fervilhar: novas sinapses se formando, acionando circuitos novos e antigos, incomodando pré-conceitos, forçando novas visões, trazendo novos questionamentos. E às vezes, aliás, muitas vezes, é justamente esse movimento que precisamos fazer para conseguir o tão famoso ‘pensar fora da caixa’. Ao sair da nossa zona de conforto e confrontar novos mundos, com pessoas que tem conhecimentos, experiências e visões distintos dos nossos, a gente se vê obrigado a fazer justamente aquilo que Darwin traz em sua teoria e que explica a evolução: temos que tentar adaptar as nossas próprias ideias e práticas às novas ideias.

Pierre Lévy chama isso de inteligência coletiva. Edgar Morin trata disso, de certa forma, em sua teoria da complexidade. Diversos autores, das mais variadas áreas, também trazem esse assunto quando falam do pensamento sistêmico. Aqui, na tentativa de ser mais sucinta, prática e didática, eu chamo isso de ‘antídoto para a bitolação’. Todos somos capazes de aprender e ensinar algo. Se houver a humildade de ouvir, a curiosidade de perguntar, e o desejo de fazer esse movimento de buscar as interseções com o que sei e o que faço, é possível encontrar soluções criativas, criar projetos inovadores. Diga-me com quem tu andas, e direi como pensas: teu pensamento é plural ou singular?

(Autor(a): Fabiane Aguiar)
(Fonte: linkedin.com)

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