Não se acostume em engolir ofensas de boca fechada e ser humilhado e abusado pois o mercado de trabalho está difícil. Não se acostume a fingir que acredita em desculpas esfarrapadas para ser educado, para manter relacionamentos. Não se acostume a contrariar os seus valores para agradar quem nos magoa, para satisfazer as expectativas de uma sociedade que muito julga e critica, mas que nada ou quase nada nos oferece de bom em troca.

Não se acostume com a crueldade. Não se acostume com a frieza, com a indiferença, com a negligência emocional, com os abusos de todas as naturezas.

Não se acostume em ser desconsiderado. Não se acostume a conviver em ambientes onde não passamos de café com leite. Não se acostume em manter amizades que nada acrescentam, amores pela metade. Não se acostume a implorar pelo olhar, pela aprovação alheia.

Não se acostume com a amizade que não aquece, com o amor unilateral, com a rotina de tudo dar sem nada receber. Com a rotina de se abrir para quem nunca nada diz. Com a rotina de ceder em prol de quem nos fere sem pestanejar.

Não se acostume em engolir ofensas de boca fechada e ser humilhado e abusado pois o mercado de trabalho está difícil. Não se acostume a fingir que acredita em desculpas esfarrapadas para ser educado, para manter relacionamentos. Não se acostume a contrariar os seus valores para agradar quem nos magoa, para satisfazer as expectativas de uma sociedade que muito julga e critica, mas que nada ou quase nada nos oferece de bom em troca.

Infelizmente, muitas pessoas acreditam na beleza e na virtude de uma postura vitimista. Acreditam que boas pessoas devem tudo suportar para se manterem como pessoas generosas. Mas, permitir que os outros nos machuquem sem dó nem piedade, não é sinal de bondade ou de firmeza de caráter. Significa que de alguma forma achamos que merecemos migalhas de amor. Significa que pouco nos amamos e lá no fundo ser maltratado é algo natural e talvez até merecido.

Se acostumar com a crueldade alheia, é se acostumar com a nossa própria crueldade, com a nossa própria falta de amor e cuidado com nós mesmos.

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Sílvia Marques
Profa. doutora , idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU, escritora e psicanalista. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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