Uma árvore de 600 anos e proporções inéditas foi encontrada no sul da Bahia no último dia 22 de novembro. Se isso não bastasse, o que mais impressiona é o fato de que ela é um pau-brasil, que deu nome ao nosso país e que já foi popular um habitante do litoral brasileiro. Do Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro, reinava soberano, mas viu sua vida ameaçada por causa do desmatamento.

Conforme mostrou o Estado de São Paulo, a descoberta aconteceu a partir de expedições feitas pelo botânico Ricardo Cardim e Alex Vicintin – mateiro e empreendedor ambiental no município de Itamaraju (BA). A região já tinha sido esquadrinhada algumas vezes pelo profissional, que desde 2016 pesquisa as árvores gigantes que restaram em toda Mata Atlântica.

O pau-brasil de 600 anos

O trabalho incrível da dupla resultou em um livro exposição intitulados ‘Remanescentes da Mata Atlântica’. A mostra está em cartaz no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. O fotógrafo Cássio Vasconcellos e o botânico Luciano Zandoná também participaram do livro. Desde então, desenvolveram um elo de confiança com os moradores do assentamento Pau-Brasil.

A equipe soube da existência do pau-brasil em novembro, quando trabalhava na região. A novidade veio por meio de um guia, que falou sobre o tamanho da espécie – muito maior do que os registros davam conta. O guia informou que somente um homem da comunidade conhecia como e em qual trecho da floresta a árvore se encontrava. “Explicamos que aquilo era importantíssimo, algo novo para a ciência e que gostaríamos de registrar o que considero patrimônio nacional, bonificando o assentado”, conta Cardim, em entrevista ao Estadão.

Apesar de já ter registrado mais de 150 árvores centenárias nos 12% que sobraram da área da Mata Atlântica original, Cardim levou um susto com o pau-brasil de 7,13 metros de diâmetro – quase três vezes maior do que os já tabulados. Eles até brincaram com a idade da espécie, 600 anos, que aparenta ‘rugas’ adquiridas com a passagem do tempo. O pau-brasil mede quase 40 metros de altura. Imponente.

O tarimbado botânico acredita que se a árvore tivesse sido encontrada num outro país, como a Alemanha, por exemplo, certamente o governo faria um parque exclusivo para preservá-la, chamando atenção para sua história. “Ela tem um simbolismo enorme, nomeou o nosso país. E sobreviveu a cinco séculos de ferro e fogo da Mata Atlântica”, pondera.

A realidade de um país que dizima sua natureza abundante com tanta facilidade faz com que se tema pelo futuro do pau-brasil de 600 anos da Bahia. Por isso, é urgente mentê-lo vivo e seguro. Além, claro, de analisar profundamente o imenso potencial genético e de reprodução.

Foto: Divulgação/Cassio Vasconcelos

Fonte: hypeness

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