Aqueles que já leram o poema “O Silêncio” escrito por Pablo Neruda, entendem que a nossa realidade íntima clama por momentos de silêncio, para que se conecte com a contemplação da natureza. O calar e observar abre espaço para que a bondade, o respeito, a fé, se manifestem através da nossa essência e equilibrem mente e corpo.

O  silêncio é, sem dúvida, uma manifestação da verbalização presente nos estudos da psicanálise, como também tem seu valor atrelado às manifestações artísticas, como a pintura e a literatura.

Martha Medeiro associa o abraço como o melhor lugar para se estar: “Onde, afinal, é o melhor lugar do mundo? Meu palpite: dentro de um abraço”.

É incrível como um simples abraço pode fazer alguém sentir tanto amor. Agora, entre todas as peças poéticas e musicais, a mensagem que Neruda deixou com ‘O Silêncio’ se destaca. Trata-se de um convite para ficarmos imóveis, para pararmos a engrenagem de nossas máquinas e o senso de humanidade artificial e vazio para nos lembrarmos do que é mais importante…

“Agora contaremos até doze
e ficaremos todos quietos.
Por uma vez sobre a terra
não falemos em nenhum idioma,
por um segundo nos detenhamos,
não movamos tanto os braços.

Seria um minuto flagrante,
sem pressa, sem automóveis,
todos estaríamos juntos
em uma quietude instantânea.

Os pescadores do mar frio
não fariam mal às baleias
e o trabalhador do sal
olharia suas mãos rotas.

Os que preparam guerras verdes,
guerras de gás, guerras de fogo,
vitórias sem sobreviventes,
vestiriam um traje puro
e andariam com seus irmãos
pela sombra, sem nada fazer.

Não confundam o que quero
com a inanição definitiva:
a vida é só o que se faz,
não quero nada com a morte.

Se não podemos ser unânimes
movendo tanto nossas vidas,
talvez não fazer nada uma vez,
talvez um grande silêncio possa
interromper esta tristeza,
este não nos entendermos jamais
este ameaçar-nos com a morte,
talvez a terra nos ensine
quando tudo parece morto
então tudo está vivo.
Agora contarei até doze
E você se cala e eu me vou”.

O silêncio é apresentado como um saber criativo que nos mostra um novo caminho para a plenitude do Eu, através da introspecção, ensinamentos de que existe uma realidade mais bela, digna e benéfica para todos.

Neruda evoca em seu poema uma canção para a reflexão conjunta, independentemente de nosso idioma. Ele nos pede que, assim como às vezes fazemos com as crianças, contemos até doze e fiquemos quietos.

 

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