Acabei de acordar de um pesadelo. São 4 horas da manhã e essa história não é ficção. É real mesmo! Acordei assustado pois vários alunos zombavam de mim e eu fugia com medo e chorando. Sempre foi assim principalmente no ensino fundamental que foi o ápice do sofrimento.

Não preciso esquecer porque os pesadelos até hoje me lembram de quando eu chegava em casa e queria desaparecer. Quando eu entrei no ensino médio eu surtei logo no começo e eu lembro bem “volte quando melhorar dessas coisas esquisitas” (a coordenadora pedagógica não sabia o que eu tinha).

Foi quando eu não voltei mais e tive psicoses. Eu podia ser um desses meninos que entram dentro de colégios e matam todo mundo mas sempre contava tudo pra minha família. “Vai passar, Daniel…”. Não é bem assim. Fiquei anos sem ir ao colégio e descobri que era autodidata. Descobri que não precisava de colégio nenhum. Mas a sociedade cobra!

Via meus amigos se formando e era um misto de tristeza e ódio… As coisas melhoraram quando eu entrei pra faculdade. Mas um gênio-autodidata dentro de uma faculdade não ia dar certo. Discuti com um professor e sempre achava que sabia mais do que eles… Minha primeira faculdade eu sofri bullying de aluno mesmo. Não sai por causa de professor.

Foi passando mil coisas na minha cabeça entre choro-riso-terapia e remédios. Eu tentei cinco faculdades e não conclui nenhuma porque como eu era autodidata eu gostava de zombar os professores. Do tipo fazia a pergunta e já sabia a resposta… Eu me sentia bem e mal fazendo isso. O pior foi com a Renata, uma professora de antropologia que numa troca de discussões eu humilhei ela numa resposta e todos os alunos olharam pra trás e falaram “Daniel, você é maluco”.

Outros riram muito e disseram “Cara, você é foda” e riram. Comecei a estudar mais ainda quando sai de qualquer instituição… Minha irmã fez o doutorado em pedagogia e eu tive uma crise horrível de me trancar no quarto e quase me matar. Tive longas conversas com a Luciana e ela me ensinou muito sobre educação e o sistema educacional. Entendi que o sistema é ruim mesmo e adoece. Comecei a fazer terapia, e parecia que eu “sugava” pra mente tudo que tinha nos livros.

Minha irmã até comprava livros pra mim e até hoje compra, mas eu nunca li um inteiro. Tem psicólogo que fala que eu sei mais de psicologia que muito profissional formado. “Daniel, já tentou fazer psicologia?”. Até já mas tudo me pareceu estar no maternal. Eu resolvi transformar a raiva em ensinar as pessoas a ensinar. Eu resolvi entender os autistas e esquizofrenicos.

Eu descobri que tinha um dom quando peguei um microfone dentro de uma faculdade e ganhei aplausos – ao invés de risadas pejorativas. Comecei a me estudar… Desde Nietzsche a teorias Freudianas.. Eu precisava me entender porque sai da terapia. Notava que minha terapeuta mesmo com mais de 20 anos de profissão não entendia muito bem o que se passava. Eu comecei a namorar psicólogas porque elas eram as únicas que me entendiam.

A gente acordava de manhã e conversava sobre Deleuze, Nietzsche, psicoses, comportamentos dos pacientes. Era como um orgasmo pra elas, e pra mim. Eu aprendi tudo sozinho. Hoje me sinto sozinho, mas eu encontrei muita coisa que me dá prazer sozinho. Porém não desisti de encontrar uma companheira de vida e que me ame do jeito que eu sou.

A última menina que eu saí, ela disse que me conhecia. Perguntei de onde e ela disse que uma amiga dela me conhecia e disse que eu zombava professores. Nunca ia me atentar a isso ou de alguma forma ver que pessoas lembram disso.

Eu ri, foi aquela risada de Joaquin Phoenix no filme do Coringa, mas… Eu sou carta fora do baralho… Aprendi a amar as pessoas e falar pro cara não zoar o coleguinha… Senão haja antipsicótico, antidepressivo… Enfim. A gente aprende e fica tomando remédio pra vida inteira. Digo que conquistei o meu respeito, eu não ganhei. Não é vingança… É uma estratégia.

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Daniel Velloso
É escritor, estudante de Psicologia e é colunista do site Fãs da Psicanálise.

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