Brie Larson and Jacob Tremblay star in "Room." (Ruth Hurl/Element Pictures)

7 FILMES PARA SE EMOCIONAR E APRENDER PSICANÁLISE:

O SILÊNCIO DOS INOCENTES, 1991

O Silêncio dos Inocentes, assim como todos os demais filmes protagonizados por Anthony Hopkins dando vida ao psicopata Hannibal Lector, é um clássico para analisar a estrutura psíquica de uma personalidade perversa e psicopática.

São disponibilizados, durante a trilogia, diversos elementos das relações sociais e afetiva de um dos mais famosos assassinos em série do cinema.

PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN, 2011

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O filme é dirigido por Lynne Ramsay e demonstra de modo angustiante a relação familiar em um contexto permeado por vazios afetivos e impossibilidades vinculares. Quase que como tendo sido escrito pelo próprio Freud, relata com riqueza de detalhes a perversão enquanto estrutura psíquica e sua relação com as falhas ambientais durante todo desenvolvimento infantil, culminando em um ponto extremo de frieza e necessidade de continência¹.

De modo geral, este filme traz a reflexão do quão importante é a presença da escuta analítica e acolhimento psíquico para os pais, antes e depois o nascimento do bebê, e para o filho nos mais diversos momentos do desenvolvimento. Precisamos falar sobre o Kevin, precisamos parar de negar os problemas subjetivos.

A PELE QUE HABITO, 2011

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Um instigante filme de Pedro Almodóvar, muito pertinente para a reflexão de diversas questões, mas de especial relevância para se pensar pontos chaves da sexualidade humana. É um filme profundo que a partir de uma situação limite, interroga a constituição do que é ser homem ou mulher. Demarca a diferença entre o sexo biológico e a identidade de gênero² enquanto constituição psíquica e provoca a reflexão sobre fundamentos da psicossexualidade.

RELATOS SELVAGENS, 2014

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Relatos Selvagens é um longa-metragem argentino. Dirigido por Damián Szifron, e conta seis diferentes histórias independentes em que os personagens são levados a

comportamentos extremos de ódio, fúria e desequilíbrio. O filme apresenta à possibilidade de discutir a vulnerabilidade humana frente à agressividade, revolta e vingança, provocando um total desequilíbrio mental e social.

O QUARTO DE JACK, 2015

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O filme é originado do livro “Quarto”, de Emma Donoghue (2011). Conta a história de Jack, um menino de 5 anos que viveu em um quarto com sua mãe, desde seu primeiro dia de vida. O quarto é o mundo de Jack, mas para sua mãe é onde vive como prisioneira sexual há sete anos. “Com determinação, criatividade e um imenso amor maternal, a mãe criou ali uma vida para Jack. Mas ela sabe que isso não é suficiente, para nenhum dos dois. Então, ela elabora um ousado plano de fuga, que conta com a bravura de seu filho e com uma boa dose de sorte. O que ela não percebe, porém, é como está despreparada para fazer o plano funcionar” (Emma Donoghue, 2011),

O filme é bem fidedigno ao livro. Há o relato da trajetória para sobreviver não só fisicamente, mas principalmente psiquicamente. Traz elementos sensíveis que provocam reflexões sobre o delicado desenvolvimento humano frente a adversidades, assim como fatores de risco e de proteção para resiliência³.

DIVERTIDA MENTE, 2015

É uma belíssima animação que apresenta a relação entre os sentimentos de tristeza, alegria, medo, raiva e nojo dentro do cérebro de Riley, uma garotinha de 11 anos que está passando por mudanças significativas em sua vida. Além de uma animação para entreter, traz uma poderosa mensagem de como a tristeza é um sentimento importante e não pode ser esquecida ou negada. O filme levanta a questão do quão importante é saber lidar com os sentimentos ditos “negativos”, e o caráter primordial que tais sentimentos representam para uma vida subjetiva saudável.

NISE: O CORAÇÃO DA LOUCURA, 2016.

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Por fim, um filme que acabou de ser lançado no cinema e já promete entrar para a lista de melhores filmes nacionais sobre saúde mental. Dirigido por Roberto Berliner e protagonizado por Glória Pires, é uma produção cinematográfica que apresenta o delicado trabalho de Nise da Silveira, uma das mais famosas psiquiatras brasileiras, pioneira ao trazer a arte para a clínica das doenças mentais graves e apontar caminhos para um tratamento humanizado e sensível às doenças psíquicas. Nise, muito além de

uma técnica, evidencia a potencialidade por detrás do sofrimento psíquico, do inconsciente, e a necessidade em acolher a subjetividade humana, principalmente nos momentos em que todos parecem querer desistir dela.

Glossário

¹Continente é a capacidade de acolher, conter, propor limite e nomear de forma desintoxicada um sintoma, sentimento ou comportamento.

²Identidade de gênero é como o sujeito se identifica enquanto homem ou mulher, podendo ou não concordar com o sexo biológico atribuído ao nascimento.

³Resiliência é a capacidade de apresentar um desenvolvimento saudável mesmo em situações de extrema adversidade.

Referência Bibliográfica

Donoghue, Emma. Quarto. Verus Editora, 2011.

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João Paulo Zerbinati
Psicólogo Clínico de Orientação Psicanalítica, atendendo em Itápolis-SP. Graduado pela PUC-Campinas. Mestrando pela Faculdade de Ciências e Letras, UNESP-Araraquara. Membro do grupo de pesquisa SexualidadeVida USP\CNPq. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



4 COMENTÁRIOS

  1. Ser louco num mundo totalmente normal, onde cada brasileiro é mais do que 50% justo, é difícil. Melhor é viver para sempre numa clínica psiquiátrica.

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