O “jogo do amor” está sujeito ao regramento social desde que, bem, desde que pessoas se apaixonam umas pelas outras. E, muito antes de a sociedade desenvolver estratégias sofisticadas de paquera que invariavelmente resultam em constrangimentos como “Você não é a ave maria, mas é cheia de graça!”, homens e mulheres já tratavam de encontrar formas de cortejar.

Veja quais eram as regras do cortejo em várias culturas ao longo dos anos:

Cartão da paquera

Muito antes do Tinder, do WhatsApp e da paquera “a um clique”, os galanteadores davam seu jeito, é claro. Prova disso, por exemplo, é o “cartão da paquera” encontrado no meio de um livro do acervo que pertenceu ao jornalista, escritor e historiador gaúcho Othelo Rodrigues Rosa. O bilhete dizia: “Por ti minha alma sofre (sic). E feliz seria si V. Ex. aceitasse (sic) os meus protestos de amor”. E, determinado, deixava ao destinatário três opções: “Dobrando o canto direito do cartão será o sim”; “O canto esquerdo será o não” e “Devolvendo o cartão intacto dará uma esperança”. O autor do galanteio é desconhecido, mas sabe-se que o dono do cartão obteve sucesso na empreitada: o bilhete conta com uma marca de dobradura no canto inferior direito.

Maçãs nas axilas

Eis uma verdadeira prova de devoção: na Áustria rural do século 19, as mocinhas interessadas em casar seguravam fatias de maçã em suas axilas durante os bailes. Ao fim da noite, elas entregavam os pedaços de fruta para o pretendente de que gostassem mais. Se a recíproca fosse verdadeira, o sortudo deveria comê-los. Muita classe.

Dedal de casamento

Na Inglaterra, os Puritanos (comunidade de protestantes radicais que se formou depois da Reforma; grupo que ajudou a colonizar os Estados Unidos) não curtiam essa história de anel de noivado e de casamento. Ao invés disso, os noivos trocavam um dedal – que pelo menos tinha alguma utilidade prática para as noivas, responsáveis pela confecção do enxoval. Casamento consumado, o copinho do dedal era cortado para mostrar que o dote estava completo e, aí sim, o “mimo” era usado como anel.

Colher de amor

Para muitos, “dar uma colher de chá” significa fazer um agrado. Não para os galeses do século XVII. Para os casais daquela época, “dar uma colher de chá” era literal: eles costumavam trocar colheres de madeira entalhadas à mão como uma forma de dizer que estavam apaixonados. Os jovens dedicavam-se horas para criar as colheres mais magníficas. Se a garota aceitasse o presente, o namoro estava em pé. Hoje, a tradição das “love spoons” desapareceu, mas as colheres ainda são presenteadas como sinal de afeto.

Anéis de noivado

Muito antes de os Puritanos saírem-se com os dedais de casamento, os anéis de noivado e casamento já eram utilizados como representação da ligação entre o casal. Os Romanos usavam anéis de fero para simbolizar força e permanência; já os Gregos iniciaram a tradição de utilizar a peça no dedo anular da mão esquerda, por onde passa a “vena amoris”, ou veia do amor. A Igreja Católica também teve sua parte na tradição: no século IX, o Papa Nicolau I endossou a ideia de que o compromisso deveria ser selado com um anel de ouro, para demonstrar a riqueza do noivo e sua capacidade de cuidar da esposa.

O primeiro anel de noivado com diamantes de que se tem notícia foi dado a Maria de Borgonha por seu noivo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, em 1477. Na época, os diamantes simbolizavam “três poderes mágicos”: o amor, a pureza e a fidelidade.

Homens e facas

No século XIX, moças finlandesas com idade para casar usavam uma bainha vazia em seu cinto. Quando interessados em compromisso sério, os pretendentes, então, colocavam uma faca na bainha da moça. Caso ela tivesse interesse no candidato, mantinha a lâmina consigo; caso devolvesse a faca… bem, haviam outras bainhas vazias!

Picante

O cortejo entre pessoas da comunidade Amish é discretíssimo. Em algumas comunidades, as pessoas só tomam conhecimento de uma união quando o casamento é anunciado na igreja algumas semanas antes do grande dia. Mas reza a lenda que uma espiada mais atenta nos jardins das famílias Amish é o suficiente para sacar que um casamento está por vir. Isso porque o principal prato em festas de casamento Amish é um creme de aipo e as famílias prestes a casar os filhos costumam cultivar muito aipo em seus jardins.

Mulheres vitorianas não estão interessadas

Em uma época em que dizer “Não” não era a opção mais indicada pelas conservadoras regras sociais, as jovens mulheres vitorianas desenvolveram estratégias próprias para informar aos pretendentes que tirassem o cavalo da chuva, pois não estavam interessadas. O elemento comunicador era o leque: se a dama não queria saber de papo, descansava o leque na bochecha esquerda; se descansava na face direita, era o sinal de que as investidas eram bem-vindas.

Patins

Andar de patins é um hobby antigo. O que pouca gente sabe é que a popularidade da patinação foi motivada pelo desejo de ter mais liberdade para paquerar. Isso porque, no século XIX, principalmente entre a classe alta, os programas românticos juvenis eram acompanhados de perto pelos mais velhos. Mas, nas pistas de patinação, pais e mães rígidos não se aventuravam, e assim os casais conseguiam um tempo para trocar juras, dar as mãos e girar nos braços um do outro.

(Fontes: Mental Floss, BBC e Editora Contexto)

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