Ela, feita de açúcares, queria beber de outros venenos; juramento este de que encontraria com suas felicidades: começando para isto guardar vontade grande de fugir.

Queria evocar o mais delicado azul para seus olhos e a mais esperta maneira de ser inocente outra vez, sem tempos para sentir faltas.

Para isto, ocupava-se com a palavra, uma, que usasse todas as letras e sons até não se bastar com letras e sons e exigisse a si mesma, as lágrimas, o peito e as esperanças.

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Uma palavra que fosse tão feita de tudo que lhe explicasse tudo aquilo que antes não lhe fora abraço.

Ela, feita de mundos, queria beber de outros venenos exatamente para que se curasse das folhas em branco.

A água fervendo do café poderia lhe ser um poema: e que os poemas fossem portas por onde, por definição, poderia-se entrar, adequadas ao que se quisesse guardar ou pedir.

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Ela, feita de açúcares, pedia por amargos, como se a si provocasse, como convite das cicatrizes às suas próprias grandezas.

A convencer-se de que, feita de açúcares e ainda que sangrasse, não mais morreria de quaisquer amargos.

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Enfeitava sua casa aos poucos com louças brancas e perfumes a esperar-se ainda mais bela e arrumada.

Um encontro às escuras consigo mesma. Sem saber, este será seu jeito manso de fugir.




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