Mania, chatice personalidade obsessiva ou TOC (transtorno obsessivo compulsivo)? Você sabe a diferença entre cada um desses problemas? O TOC é uma das doenças psiquiátricas mais comuns que existem e se caracteriza por pensamentos ou comportamentos que o indivíduo percebe que são exagerados e fora da realidade, mas que não consegue evitar.

Para falar sobre o assunto, o psiquiatra Daniel Barros e a psicóloga Alice de Mathis, esclarecem vários pontos.

O TOC pode aparecer como pensamento (obsessão), ritual (compulsão) ou os dois associados. Os exemplos mais comuns são:

– Lavar as mãos várias vezes ao dia;
– Tomar banhos demorados, porque precisa lavar cada parte do corpo várias vezes ou em uma sequência específica;
– Evitar encostar em pessoas ou objetos por medo de se contaminar;
– Organizar objetos em uma determinada ordem, gastando muito tempo;
– Precisar de simetria. Por exemplo, se a pessoa esbarra com o ombro esquerdo na parede ou em uma outra pessoa, ela tem que fazer a mesma coisa com o ombro direito;
– Verificar se a porta está trancada; gás, ferro, fogão desligados várias vezes seguidas;
– Rezar várias vezes, na sequência, para evitar que algo ruim aconteça (ex: 100 vezes o “Pai Nosso”);
– Medos supersticiosos: não usar determinadas cores com medo de acontecer algo ruim. Ou evitar números que lembram azar (ex: número 13);
– Pensamento de achar que está com doença grave, mesmo que os médicos e exames digam o contrário;
– Necessidade de guardar objetos inúteis, quebrados ou sem valor por achar que será útil no futuro;
– Conferir várias vezes o que leu ou escreveu para ter certeza que leu ou escreveu corretamente.

Após o ritual, vem o alívio e por isso há sempre a repetição daquele comportamento, porque traz felicidade e alívio. Mas, internamente, ela sabe que é algo exagerado e sem necessidade, por isso tem o sofrimento depois.

O estudante Leonardo Sau, de 19 anos, tem manias e tiques desde pequeno. Conforme foi crescendo, os sintomas se agravaram. Uma das regras é não abrir os olhos na rua, por exemplo, o que o impede de sair sozinho. Quando não cumpre a regra, ele tem uma necessidade de se limpar, tomando longos banhos. “Eu já tomei banhos de três horas e meia. Hoje, tomo banhos de uma hora e já me satisfaço, fico aliviado”, conta Léo. O sofrimento só começou a diminuir quando Léo aceitou o tratamento, com terapia e remédios.

TOC X mania
É comum os perfeccionistas serem confundidos com TOC. Mas quando é a doença, aquela mania passa a ocupar muito tempo do seu dia e gasta mais energia mental do que deveria. É considerado transtorno quando a pessoa passa pelo menos uma hora do dia entre os pensamentos e rituais, causando prejuízo e sofrimento. O pensamento é sempre uma coisa ruim, é caracterizado por ser intrusivo, sem sentido, que causa sofrimento e a pessoa não consegue evitá-lo.

Ainda não há uma explicação definitiva sobre o surgimento do TOC. Sabe-se que os fatores genético e ambiental influenciam bastante. A pessoa pode desenvolver em qualquer idade, porém, é mais comum que apareça na infância, a partir de 4 ou 5 anos. E como saber que seu filho tem TOC? Prestar atenção se ele faz algum ritual que se repete inesgotavelmente e, o mais importante, se ele fica irritado quando não o faz.

Quando o TOC não é tratado, a tendência é que agrave, por isso uma criança pode crescer e ser um adulto com TOC em estágio avançado. Além de poder desencadear outros problemas: depressão, abuso de álcool, transtornos de ansiedade e tiques.

A sensação de quem tem TOC e não trata ou então não sabe o que é, é de que são loucos, não entendem o que está acontecendo. A maioria das pessoas tem vergonha de falar o que pensam e de se abrir, por isso não procuram tratamento. Mas é importante frisar que com medicação e terapia comportamental os sintomas são reduzidos drasticamente e a qualidade de vida aumenta muito.

Personalidade obsessiva x TOC
Não são a mesma coisa. Quem tem a personalidade obsessiva acha que o mundo está errado e quer que todos mudem para se enquadrarem em suas condutas. Tudo é a ferro e fogo. Quem tem o TOC é o oposto, quer mudar o próprio comportamento para se adaptar ao mundo. Ele sabe que não é real.

Se você tem TOC e gostaria de participar de uma pesquisa conduzida pela psicóloga Alice de Mathis, envie um e-mail com a sua história para protoc.projeto@gmail.com

(Fonte: http://g1.globo.com)

 

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