Costumamos julgar as pessoas, muitas vezes de maneira cruel e injusta, atentando-nos somente para o que vemos, mesmo que não as conhecemos o suficiente. Tiramos conclusões precipitadas, antecipando-nos à convivência com o outro, esquecendo-nos de dar tempo ao tempo, para que a verdade de fato se faça presente.

Todos nós passamos por muita coisa antes de chegarmos onde estamos, ou seja, o que somos carrega uma carga emocional e física imensa, que nos moldou e nos tornou o que vivemos no momento presente.

A gente vai se transformando ao longo de cada dia, todos os dias, aprendendo a conviver com as bagagens boas e ruins, adequando-nos ao que a vida nos apresenta – e nem sempre ela é gentil.

Por essa razão, não podemos criticar as pessoas pelo seu jeito de ser, pois todas elas estão tentando sobreviver, enfrentando batalhas, dentro de si, que nem imaginamos.

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E, quando se trata das pessoas próximas de nós, que conhecemos de perto, será preciso prestar atenção aos sinais que seu comportamento nos envia a todo momento. Caso contrário, não conseguiremos responder aos pedidos, não nos ajustaremos às mudanças e assim perderemos quem não deveria se afastar.

Precisamos, sobretudo, entender o silêncio demorado de quem caminha conosco, lendo as entrelinhas daquilo que não mais retorna, percebendo a tristeza no fundo dos olhos, as mudanças mínimas que nos indicam que algo não vai bem.

Infelizmente, a maioria de nós só percebe a frieza cansada do parceiro quando o abismo emocional já se encontra praticamente irreversível. Então já nada mais importará. Então será tarde demais.

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Conviver requer prestar atenção, cuidar, regar, importar-se, mais do que oferecer presentes e conforto material. Buscar as conquistas de vida sempre deverá incluir também o enriquecimento afetivo, o aumento de nosso potencial humano, nossa capacidade de amar e de ser amado.

Se nos esquecermos das relações humanas nesse caminho, sempre sairemos perdendo, pois as pessoas simplesmente se cansam de ser boazinhas e compreensivas além da conta, além do que o coração é capaz de suportar. As pessoas se cansam e fim.

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Prof. Marcel Camargo
Graduado em Letras e Mestre em "História, Filosofia e Educação" pela Unicamp/SP, atua como Supervisor de Ensino e como Professor Universitário e de Educação Básica. É apaixonado por leituras, filmes, músicas, chocolate e pela família. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


5 COMENTÁRIOS

  1. Muitas vezes sem perceber fazemos escolhas que nos custam o que eramos antes. O sorriso no lábio que surgia da alma, a vida que antes pulsava. E agora a vida só vive.

  2. Somente quem superou ou luta contra essa frieza, independente de seus motivos, vai entender este texto. Muita terapia ajuda a resignificar um passado e voltar a sorrir e até se entregar novamente. Infelizmente as relações hoje em dia são muito superficiais e as pessoas imediatistas demais. Ninguém mais tem “paciência” para entender o outro. Cabe a quem quer mudar seu jeito, resolver suas questões pessoais com ou sem ajuda terapêutica. Digo isso porque me preocupo mais com quem sofre com esses julgamentos do com quem julga. Quem está acostumado a julgar não vai ter sensibilidade para entender isso nem coisa alguma.

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