Nunca estivemos numa época onde o “diferente” fosse tão celebrado como vemos nos dias de hoje. E isso é excelente, pois a diversidade nos ensina coisas novas, e uma das melhores coisas que a vida nos dispõe é o aprendizado.

A tarefa de descobrir algo novo sobre nós e sobre os outros, e perceber que isso não atrapalha nada, e sim na verdade complementa tudo o que somos e fazemos, nos deixando melhores.

Vemos em todos os lugares a palavra “aceitação” ser pronunciada de boca cheia pela maioria das pessoas. Observamos a palavra “preconceito” ser repudiada pela mesma quantidade, senão por todos que conhecemos ou vemos nas mídias sociais.

A expressão “não tenho preconceito” é bem sonorizada e precisa ser dita em todos os nossos círculos sociais. Isso é maravilhoso!

E bem interessante, por um detalhe que passa despercebido, ou é extremamente evidente só que disfarçamos muito bem: Isso tudo é uma basicamente uma mentira. O respeito a “diversidade”, e a ausência de “preconceito” é um conto da “carochinha” que circula por aí pra que nos sintamos seres humanos melhores. E o mais legal é que dizemos isso para nós mesmos quase que o todo tempo, até…

Até que um filho nos diga que é gay, até que um deficiente nos peça espaço, até que um ex-presidiário nos solicite trabalho, até que um morador de rua nos estenda a mão, até que um estrangeiro venha fazer algum tipo de trabalho em nosso país, até que uma criança pobre ganhe uma bolsa e venha estudar na classe do meu filho, até que uma mulher é elevada a presidência de uma empresa, até que um negro se torne médico, até que um transgênero se forme professor(a) infantil, até que um grupo diferente do meu tenta manifestar sua representatividade, até que uma pessoa analfabeta peça a palavra… até que… até que… até que um monte de coisas possam ter passado pela sua cabeça além dessas citadas, ou foram exatamente essas exemplificadas.

Seja sincero com você mesmo neste momento. Você já foi ou é preconceituoso. Ou a aceitação pela diversidade, não passa de uma convenção social, por que intimamente você sabe que guarda seus preconceitos e rejeições, por um único motivo: o Homem precisa encontrar um defeito em alguém para se sentir melhor. Para se sentir maior, sentir que ele é “mais” que aquele que está diante dele e foge da “norma culta da aceitação”.

Nossas casas, nossas famílias, e até mesmo nossas vidas devem ser protegidas do diferente, pois precisamos ser perfeitos. O mundo precisa entender que eu acertei na vida e que tudo o que me rodeia é PERFEITO. Senão o que o todos vão pensar de mim…

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Posso estar sendo radical, porém não estou sendo generalista, pois o respeito, a união, a aceitação e a empatia existem, e existem em todos os lugares. Isso deve ser dito também! Sempre encontraremos uma pessoa que tenha um coração menos contaminado, que tenha uma voz que mereça ser ouvida e que tenha atitudes que são totalmente livres de qualquer tipo de acepção de pessoas, no entanto, que pena, porque ela também vai ser um dos maiores alvos dos nossos mais sinceros preconceitos…

Nossas palavras não são maiores que nossas desculpas quando somos desmascarados… sempre temos argumentos quando somos pegos naquilo que gostaríamos de esconder. Quando nosso “eu” particular é quebrado e confrontado, se torna desconfortável sermos nós mesmos.

Mas voltamos a realidade quando percebemos que tanto eu como você, temos rachaduras, temos manchas, temos lados obscuros que juntamente com nossas melhores qualidades, nos torna humanos.

Respeite, aceite e estenda a sua mão primeiramente para você mesmo… Agindo dessa forma você se prepara para fazer o mesmo para aqueles que estão ao seu lado e que são tão imperfeitos e maravilhosos como você mesmo pode vir a ser. Isso é o repeito a diversidade!

É perceber que mesmo que o outro não atinja as suas expectativas falhas, algo novo pode ser aprendido ali e fazer com que a sua visão sobre a maioria das coisas ganhe um nova cor.

Por isso seja colorido… colorido sempre, uma mistura de tonalidades! Seja sempre diferente, uma vez que assim o diferente nunca vai te assustar, e sim te surpreender.

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Lucas Sousa Ferreira

Psicólogo. Colunista do site Fãs da Psicanálise.



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