Todo mundo tem medo de alguma coisa. Isso é um fato. Não é possível sobreviver sem medo. Essa é uma estratégia de todas as espécies buscando a autopreservação. Sem medo, não teríamos descoberto o fogo, as vacinas, a tecnologia.

O medo é uma reação aprendida frente a uma ameaça. Prepara o individuo para assumir uma posição de luta ou fuga, ou assim deveria ser.

Ao longo dos anos, as coisas que tememos assumem formas diferentes: ficar sozinho, animais grandes, ser diferente, ser comum, público, fracasso.

Quando crianças, vemos nossos pais ou responsáveis como adultos superpoderosos. Pessoas fortes, destemidas, corajosas que podem enfrentar qualquer situação. Isso promove segurança e estabilidade interna. Os super-heróis, que fascinam tanto os infantes, também tem esse papel. Eles atendem a uma necessidade primária de todos os seres humanos de sentir-se seguro e, mais do que isso, apresentar um modelo de ser alguém mais forte do que eles próprios.

Na idade adulta, ainda temos necessidades de segurança e proteção, mas agora não é possível e aceitável depender de outros adultos ou de seres imaginados para atendê-las. É preciso ser por si mesmo. No mundo atual, ser autossuficiente e independente é o sonho e a meta para todos. Os desejos impostos por esse período de desenvolvimento são conflitantes com os infantis, então, entre as respostas possíveis, o medo se configura como uma resposta comum.

O medo é, talvez, o maior entrave para qualquer processo de mudança, criação e empreendedorismo. Esperar que medo não exista para agir é um erro. É preciso lidar com isso de uma maneira mais eficaz e, para isso, apresento algumas dicas:

a) Identifique de onde vem o seu medo: o medo é consequência de uma leitura da realidade que indica que existe algo aversivo. Portanto, há algo que foi entendido como uma ameaça. Essa ameaça precisa estar discriminada.

b) Avalie sua leitura da realidade: depois de identificar seus medos, é importante classificar o quanto eles são reais ou imaginários e qual o seu impacto.

c) Diferencie risco de ameaça: ameaça é algo negativo, que tem caráter destruidor. O risco é inerente a qualquer processo, não sendo necessariamente negativo ou positivo. É um espaço em branco no qual o controle não pode ser exercido em totalidade.

d) Procure opiniões: essa ideia pode estar presente em qualquer momento do processo. Se há algo sobre o qual não tenho domínio, ou mesmo que possua, conte com um novo olhar, busque auxilio.

Leia Mais: Combatendo o fantasma do medo

e) Conheça seu repertório: depois de compreender como percebe as coisas e o que acontece ao redor, é importante conhecer quem é, suas características, seus desejos. Qualquer investimento e mudança depende de flexibilidade e não é possível ser flexível sem antes ter feito um alongamento e descoberto até onde pode ir. A metáfora é esportiva, mas o significado é psicológico.

f) Invista em você: Depois de conhecer a si mesmo e o ambiente que o rodeia, é o momento de aprimorar. Dependendo da expectativa e do desafio não é possível encarar sem preparação inicial. Se a avaliação indica que falta conhecimento, estude; se falta habilidade, treine; se as dificuldades são a nível psicológico, procure terapia.

g) Avalie os custos. Qualquer ação tem um custo. Ele pode ser enérgico ou monetário. Você precisa conhecê-lo e avaliá-lo para saber se pode arcar com eles e se haverá retorno satisfatório.

h) Seja realista: não importa quão bem as ideias acima tenham sido realizadas, sempre há uma margem de risco. Não espere acerto na primeira tentativa. O erro é apenas uma maneira de não fazer.

i) Aceite os resultados: uma análise eficaz dos fatores acima reduz muito a chance de insucesso, mas ele pode acontecer. Qualquer iniciativa tem duas possibilidades, inclusive a chance de dar certo. É importante estar preparado para o sucesso.

Somos ensinados de que é necessário vencer a todo custo, mas não somos preparados para lidar com o processo. Não há desenvolvimento sem risco. Sem desenvolvimento não há mudança e consequentemente não há sucesso. Será que vale a pena ficar onde está? Acho que se a reflexão existe, talvez não seja!

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