A Psicanálise deu outro colorido à perspectiva da criação artística. Sigmund Freud (1856-1939) mostra sua fascinação pelas obras de arte em mais de vinte e dois artigos referentes à arte. Adentrando mais no conteúdo das produções e, menos na sua forma expressiva, Freud não tenta explicar questões dirigidas ao talento ou dom artístico, mas busca compreender os mistérios, assombros e inquietações intrínsecos às produções.

A busca por manifestações do inconsciente, expressas nas obras de arte, acaba direcionando seu olhar para as fantasias, questões da ordem do oculto e pelo fio que leva até as origens da criação do artista. Freud infere sobre três fatores principais comuns às produções artísticas como responsáveis por despertar o fascínio diante de uma obra de arte, algo próximo de uma experiência estética intensa.

É imprescindível, primeiramente, que as produções se aproximem do caráter mais universal, revelado por meio de conflitos inerentes à condição humana. O segundo fator se relaciona como o desejo que se encontra parcialmente disfarçado por mecanismos semelhantes aos dos sonhos (deslocamento e condensação), levando as tensões a serem apreendidos pelas pessoas, sem grandes mecanismos de resistências. E, por fim, a estética das obras de arte nos distrai do pensamento oculto, ou seja, o prazer estético nos “suborna” a aceitar a satisfação pulsional real.

O sujeito tende a ocultar suas fantasias aos outros, tornando seus devaneios secretos. Nos seus textos sociais, Freud aponta o mundo externo como fonte de sofrimento, angústia e ansiedade. No texto “O Mal- Estar da Civilização” escrito em 1930, Freud explica que os indivíduos muitas vezes buscam satisfação nas ilusões, um meio de encontrar prazer pela fantasia.Desse modo, o relato das situações fantasiadas poderiam gerar repulsa ou desprazer aos demais que tomassem conhecimento dos mais íntimos desejos do sujeito que devaneia. Por isso, Freud reconhece a intenção do sujeito em afrouxar os vínculos com a realidade, já que os processos psíquicos criam ilusões que o sujeito reconhece como tais.

(Autora: Fernanda Fazzio, psicóloga, psicanalista e escritora)




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