“Melhor acatar-se? Melhor a catarse!”

A eficácia da leitura e da escrita na terapia psicanalítica surpreende. A produção de textos na clínica terapêutica promove a catarse como descarga de emoções positivas ou negativas. Não importa.

Usar o conteúdo catártico é o principal objetivo desse método. Primeiro com a transcrição de situações que causam desconforto, liberando-as por meio da escrita. Num segundo momento, de leitura e reflexão, concentramos para a próxima etapa que, por fim, é o fundamento, a de registro de momentos críticos prazerosos ou não.

O diálogo também tem essa função. A princípio, em casos extremos, o acompanhamento do terapeuta deve ser com base nos atos falhos, que, mesmo indicando uma descarga de emoções, deve ser observada com atenção pelo analista, onde ele aprofundará os estudos de acordo com cada paciente.

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Escrevo hoje este artigo também para liberar minhas emoções quanto à eficácia deste método em meus pacientes. Os resultados são de grande relevância.

Claro que, em alguns casos, vários são encaminhados para acompanhamento de outros profissionais. Isso, com o intuito da continuidade ou encerramento da análise, também com outras técnicas.

Além da dependência química, a depressão é um quadro clínico mais frequente encontrado no consultório. A catarse pode devolver ao deprimido condições para o enfrentamento do sintoma.

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Com base na experiência da clínica psicanalítica, o desenvolvimento de uma biblioterapia (terapia com livros ou material de leitura), com acréscimo da produção textual, seja ela literária ou não, é possível verificar a melhora daqueles que buscam ajuda. Principalmente com a junção da leitura. Ela é uma atividade que, além do desenvolvimento cultural e de formação do cidadão, pode desempenhar importante papel terapêutico.

Tanto em C.G.Jung como em R.W.Bion o homem aparece como um “ser de passagens”, capaz de “fazer travessias”, de “morrer e renascer”.

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O homem é capaz de viver “mudanças catastróficas”. Por isso, o tratamento envolve o aumento gradual de implicações emocionais, através da fala, leitura e da escrita, onde o indivíduo possa se perceber como competente em conduzir sua vida normalmente. Apesar dos problemas, que todos nós temos, essa autopercepção induz o paciente a olhar-se por fora e canalizar aquilo que há de melhor e ancorar-se, rotineiramente, em um ambiente que está sob sua vigilância.

O propósito da catarse é o afastamento da fuga, da esquiva, que acontece em casos frequentes com dependentes químicos, que usam substâncias psicoativas para escapar do mundo. Já os maníacos depressivos tentam o suicídio para atingir o mesmo fim. O paciente que sofre com essas ou outras patologias, ao utilizar a prática da leitura e da escrita como terapia, vai aprender a lidar com os momentos difíceis sem que para isso perca “o fio da meada”.

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Roney Moraes
Psicanalista; Especialista em Saúde Mental e Dependência Química; Mestre em Filosofia da Religião; Doutor em Psicologia (Dr.h.c); Doutorando em Psicanálise (Phd); Analista Didata da Escola Freudiana de Vitória (Acap); Ex-presidente e membro da Associação Psicanalítica do Estado do Espírito Santo (Apees); Coordenador do Centro Reviver de Estudos e Pesquisas sobre Álcool e outras Drogas (Crepad); Membro da Academia Cachoeirense de Letras (ACL). É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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