O termo vínculo é empregado enquanto significado de união, enlaçamento, ligadura. De modo particular, nos relacionamentos humanos, é caracterizado como um envolvimento de forte contato e quanto mais primitivo, ou seja, quanto mais inicial na vida humana, mais fundamental na trama dos processos de subjetivação.

A primeira experiência vincular de qualquer ser humano consiste na relação do bebê com seus primeiros cuidadores principais, geralmente sua mãe e seu pai. Este vínculo é de vital importância para o novo ser vivo, pois é através desta relação que o bebê será acolhido ao seio familiar e poderá vivenciar as primeiras experiências de satisfação de necessidades básicas, amor, afeto, cuidado, segurança, etc.

De tal maneira, na medida em que a criança continua seu desenvolvimento, os tipos de vínculos também se modificam. Dos cuidadores principais, os próximos envolvimentos vinculares serão estabelecidos com os familiares como avôs, tios, primos. Mais adiante chega a hora em que a escola proporciona um novo contato e o início de um vínculo diferente de todos os outros de até então, um vínculo social. Assim, de modo cada vez mais espontâneo, novos vínculos e grupos adentram a vida subjetiva desta criança.

Na juventude surgem os amigos mais próximos, alguns confidentes, grupos por afinidade, iniciam de modo mais evidente os vínculos de conhecimento, vínculo de reconhecimento, vínculos amorosos, vínculos eróticos e de modo quase que mágico percebemos que a vida se faz através dos vínculos, especialmente os vínculos com maior qualidade e importância.

É inevitável deixar de perceber a relação entre a qualidade dos primeiros vínculos com os próximos vínculos na vida. Quanto melhor, qualitativamente, forem estes primeiros envolvimentos afetivos, maior será a possibilidade de que ao longo do desenvolvimento este sujeito consiga se vincular com qualidade às pessoas que em seu caminho cruzarem. Entretanto, não há uma regra, o importante é que em algum momento da vida, o sujeito tenha a oportunidade de estabelecer vínculos produtivos e duradouros. Pois assim como pontua o Psicanalista David Zimerman “o ser humano constitui-se sempre a partir de um outro”, o vínculo é algo necessário não só para o desenvolvimento da personalidade, mas para o desenvolvimento humano de um modo geral.

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João Paulo Zerbinati
Psicólogo Clínico de Orientação Psicanalítica, atendendo em Itápolis-SP. Graduado pela PUC-Campinas. Mestrando pela Faculdade de Ciências e Letras, UNESP-Araraquara. Membro do grupo de pesquisa SexualidadeVida USP\CNPq. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



3 COMENTÁRIOS

    • Olá, Pedro.
      Um ponto de muita importância é a relação entre a qualidade vincular e o afeto constituído. Uma união com certa diversidade de classificações vinculares pode sim oferecer perspectivas para um vínculo afetuoso e “forte” como você colocou.
      Abraços.

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