A depressão muitas vezes é vista como uma frescura e é tratada como se fosse tabu. Um estudo realizado pela Federação Mundial de Saúde Mental mostra que uma em cada 20 pessoas tem depressão. A instituição estima que a doença afeta cerca de 350 milhões de pessoas ao redor do mundo.

Os quadros de depressão podem ser leves e às vezes são confundidos com questões de personalidade, como se fosse um tipo de frescura”, diz André Brunoni, coordenador do Serviço de Neuromodulação do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPq-USP) a GALILEU. “Esse tipo de comportamento faz com que o próprio paciente não se sinta estimulado a procurar tratamento no começo ou perceba os sinais de depressão que está apresentando. Ele só vai se tratar quando o quadro fica grave.”

Causas e Efeitos

A depressão é causada por dois fatores: a genética e o ambiente. Isso significa que aqueles que têm um histórico familiar de depressão correm um risco maior de serem afetados pela doença. E algumas características do ambiente de convivência do indivíduo, como estresse e pouca valorização, podem ser decisivas para a saúde dele. Fora isso, há uma série de eventos que ocorrem ao longo da vida que podem levar alguém a ter depressão. O luto e o período pós-parto, por exemplo, são alguns deles.

Quem tem a doença sofre alterações no córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pela tomada de decisões e julgamentos do que é certo e errado. Muda também a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade dos neurônios de se comunicarem entre si. A sensação que um indivíduo tem durante um surto depressivo, segundo o psiquiatra, é de dificuldade em processar informações e agir, como se o cérebro não estivesse funcionando muito bem.

Ao longo do surto o corpo também sofre outros tipos de alterações, como o aumento na produção de cortisol. O excesso do hormônio aumenta a adrenalina no sangue e faz com que a variabilidade da frequência cardíaca do paciente diminua.

O tratamento para a doença varia de acordo com a gravidade. De acordo com André Brunoni, quadros leves e moderados podem ser tratados a partir de mudanças no estilo de vida, como exercícios e alimentação. Em casos mais sérios, é necessário contar com a ajuda de antidepressivos.

Como nem todos os pacientes podem adotar a medicação, seja por conta de outros remédios ou condições pessoais, novas técnicas de tratamento estão sendo desenvolvidas. Uma delas é a estimulação magnética transcraniana, na qual um pulso eletromagnético é gerado no córtex pré-frontal de forma a estimular a neuroplasticidade.

“Essa técnica não tem efeitos colaterais, o que é muito importante pois é comum que pacientes melhorem por conta dos remédios, mas sofram com ganho de peso, perda de libido, problemas gastrointestinais. Se elas param de tomar a medicação, a depressão volta e cria-se um ciclo vicioso”, afirma Brunoni.

Dados do Instituto de Psiquiatria da USP mostram que 15% das pessoas terão algum tipo de depressão ao longo da vida.

(Autora: Isabela Moreira com supervisão de André Jorge de Oliveira)
(Fonte: revistagalileu.globo.com )
*Adaptação Livre de Fãs da Psicanálise

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Fãs da Psicanálise
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4 COMENTÁRIOS

  1. Eu me sinto frustrada com minha vida profissional, financeira e com meu corpo. Antes isso apenas me deixava triste, mas agora não tenho vontade de sair de casa, fazendo-o somente para o estritamente necessário (trabalhar e pagar contas). Sinto muito sono, dores no corpo, às vezes tenho apneia e também sinto às vezes meu coração “fora de ritmo”, descompassado. Sou muito ansiosa e estou sempre preocupada, como se algo de ruim estivesse na iminência de acontecer. Sei que a firma como me sinto não é normal, mas não consigo definir se sou ansiosa ou depressiva. Gostaria de receber uma orientação, para saber o tipo de ajuda que preciso.

    • Olá Paula, recomendo buscar ajuda de um psicólogo o quanto antes. Tenho depressão diagnosticada e sei realmente o que são esses sintomas, tenho todos que descreveu e mais alguns. No meu caso esperei o ápice para tomar atitude, essa ‘não vontade de sair’ evolui tornando uma tortura qualquer socialização, sai do emprego, tranquei a faculdade, passava dias deitada sem conseguir levantar nem para as coisas básicas. Por isso não espere, pois fica mais difícil.

  2. Quando tenho surtos geralmente eu quero bater em tudo que há em minha frente fico em estado de choque e chorando e gritando mto alto direto… as vezes uma veia na minha cabeça dói eu tenho isso desde alguns tempos uns 2 ou 3 anos.. e também pratico a automutilação tomo aprazolam e reconter e não adianta nunca passa…. é a pior coisa que alguém poderia sentir sentimento de dor no coração angustia tristeza enorme.. vc nunca ta livre disso´…

    • Keila querida, não deixe isso tomar conta completamente de você. Sei que é difícil pois passei por uma fase mais ou menos parecida, não me mutilava, e consegui sair com exito. Primeiro procurei ajuda de um profissional da área de saúde e também da parte espiritual, independente de qual religião, mesmo que for Ateu, pq sim, eles confiam em si mesmo e isto já é um bom começo. Fiz anos de terapia para meu auto conhecimento, fiz yoga, o que me ajudou a ter o autocontrole. Existem pequenas coisas no nosso dia a dia que nós não damos importância, isso pq nessas horas oq conseguimos enxergar são só coisas negativas que tomam conta da gente sem q percebemos, então procurei me apegar primeiramente nas pequenas coisas, um bom dia, uma mensagem q lia e me identificava, pq sabia q existia aquilo dentro de mim mas estava escondido em algum lugar, histórias de superações mexia com meu ego, eu tb queia superar! procurava algo q mesmo sem animo no momento gostava de fazer, artesanato foi uma boa tb, ocupa a mente, mexia com a minha criatividade abafada por todos os medos e minhas energias renovava. Estou lhe escrevendo pq acredito que mesmo q seus sintomas for causa genética, você possa encontrar uma maneira de conviver melhor com isso, mais saudável, mais inspirada por coisas que te fazem bem. Eu sou mais uma sobrevivente e como eu consegui acredito que vc também consiga. Espero ter ajudado. Boa sorte 🙂

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