A comunicação – verbal ou não – faz parte da vida de todos(as).

Para se relacionar bem – seja com a família, com colegas de trabalho, amigos ou parceiros amorosos – é preciso saber se comunicar.

Mas isto nem sempre é uma tarefa fácil e pode exigir mais atenção do que normalmente nós damos.

Leia com atenção os três equívocos principais na hora de se expressar e faça uma reflexão sobre qual é a sua postura.

1. A falta:

Já reparou que algumas pessoas dão informações pela metade? Já conversou com pessoas que parecem estar economizando as palavras? Já se perguntou porque algumas conversas não “rendem” mesmo com muito assunto para ser discutido?

Seja por preguiça/apatia, por achar que não tem necessidade de falar o raciocínio completo, por falta de tempo/impaciência, insegurança ou simplesmente pela falta de consideração ao outro, existem pessoas que pecam pela falta de comunicação. E nada mais desestimulante do que ter um diálogo com alguém monossilábico.

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Este tipo de pessoa costuma usar a máxima “para bom entendedor meia palavra basta”. Entretanto, esta frase tão difundida só pode ser usada em contextos muito específicos. Na realidade, ela pode causar muito mal estar e serve de álibi para aqueles que acham que o interlocutor tem a obrigação de entende-los.

Por causa dessa crença equivocada, nos sentimos isentos da responsabilidade em transmitir a mensagem completa e de forma clara. Lembre-se sempre que cada um ouve e interpreta à sua maneira e, se você dificultar esse processo falando/escrevendo menos do que deveria, aí mesmo é que não poderá se queixar se te entenderem errado.

Bolas de cristais funcionam apenas na ficção, portanto, uma dica básica é: ao final de alguma exposição de ideias pergunte ao outro o que ele entendeu exatamente. Essa atitude tão simples pode evitar muitos problemas e melhorar significativamente suas relações.

2. O excesso:

Sabe aquelas pessoas que gostam de contar tudo detalhadamente? Um caso que poderia ser narrado em dois minutos pode levar uma hora, pois elas gostam de florear, repetir, introduzir exemplos e dar voltas pelo mundo até conseguir concluir um pensamento.

Este tipo de pessoa, muitas vezes, nem se importa se os seus interlocutores estão interessados em ouvi-la. Elas não se sentem intimidadas se o ambiente ou o contexto não é favorável às suas ideias. O que elas querem é falar e falar… desenfreadamente.

Mas um alerta: ser comunicativo não tem nada haver com isso. Ser extrovertido não é ser chato ou sem noção.

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Os que “pecam pelo excesso” geralmente utilizam de alguns artifícios como: palavras rebuscadas (para dar a impressão que são mais inteligentes) e ideias abstratas (pois se o ouvinte não entender a culpa é dele que não soube associar).

Quem é prolixo tende a não se preocupar com a receptividade da sua fala e acaba afastando as pessoas ao seu redor. A dica neste caso é: perceba a reação das pessoas quando estiver falando; parecem interessadas? Se não, tente novos métodos, inove no seu jeito e seja objetivo.

3. Comunicação confusa, desconexa e desorganizada:

Por vezes o problema não é a quantidade – nem a falta nem o excesso – e sim a qualidade. Você já deve ter tido uma conversa que parecia não se encaixar, como se estivessem falando de temas diferentes e, no fim, perceber que ninguém foi compreendido.

Estes monólogos – que deveriam ser diálogos – acontecem com frequência por vários motivos, dentre os quais o sujeito pode falar algo tão familiar que esquece que o outro nunca ouviu sobre o tema; pode, também, ter dificuldade em formular um raciocínio linear e lógico; além de muitos outros fatores.

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É comum também, que neste tipo de comunicação, as pessoas não usem o tom e o ritmo adequado – como por exemplo, pausas muito longas ou o contrário – o que dificulta o receptor acompanhar o pensamento de quem fala. Este tipo de comunicabilidade sem harmonia é desencadeadora de conflitos em qualquer relação.

Essas formas foram separadas a título de explicação, mas é comum que, dependendo da situação, a pessoa mude seu comportamento ao se comunicar. Em outras palavras, no trabalho fulano fala pouco, com amigos fala em excesso e na família falta clareza ao se expressar. O fato é que as três maneiras prejudicam a convivência interpessoal.

E você? Como se comunica?

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Rosa Abaliac
Psicóloga e mestre em Psicologia Social. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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