Não precisa ser um grande esportista e tampouco participar de grandes competições para perceber os benefícios do esporte também para a nossa saúde mental.

A sensação de bem-estar, tão propagada pela medicina, através da ação dos hormônios liberados durante a transpiração, não é a única vantagem da prática esportiva, independentemente de sua modalidade.

Assim como na vida, no esporte somos também testados quanto à nossa capacidade de superação e, ao mesmo tempo, ao respeito aos nossos limites. Desenvolvemos a dedicação e a disciplina e aprendemos a lidar com as derrotas e vitórias. Sim, até mesmo as vitórias precisam ser trabalhadas em nós mesmos. Entender que estávamos em circunstâncias melhores, momentos mais benéficos, que fizemos um treino mais apurado, faz com que nosso adversário não se torne um eterno perdedor.

Trata-se apenas de alguém que não estava nas melhores condições físicas e mentais. E , muito menos nós, seremos para todo o sempre inveterados vencedores. Sempre haverá vitórias e derrotas. Na vida e no campo, na quadra, na raia, no tatame… Saber lidar bem com os êxitos e os fracassos é o segredo, a chave. Não desistir, mas saber a hora de parar. Não se diminuir, mas também não se agigantar demais. Entender que o mais terrível dos adversários somos nós mesmos, com todas as nossas dores, teimosias, inconsequências e egocentrismo.

A plateia também sempre nos trará consequências, positivas ou negativas, a depender de cada um. Há excelentes jogadores que se afugentam em grandes clássicos. Por outro lado, há os que brilham justamente nos momentos decisivos. Manter a nossa estrela acesa nos períodos mais cruciais, de crises infinitas, sem que a opinião alheia afete o nosso modo de jogar/viver, também é um grande desafio, mais uma vez, na vida e no campo, quando os holofotes estão sobre nós.

A manutenção da calma, do equilíbrio, da serenidade pode fazer a diferença entre a medalha de ouro e a desclassificação.

Estimular e incentivar uma criança à prática esportiva é saber oportunizar a ela a escolha por uma modalidade que lhe pareça prazerosa, sem submetê-la a qualquer tipo de constrangimento ou pressão para ser o melhor ou para suprir as expectativas familiares. Há de se lembrar que o esporte, por si mesmo, é um aprendizado para a vida, com todos os seus acertos e desacertos. É nele que ensaiamos as nossas primeiras decepções e conquistas e a maneira de lidar com todos esses sentimentos que começam a borbulhar.

Sem que uma característica seja, necessariamente, excludente da outra, a preferência por esportes coletivos pode significar uma personalidade mais propensa ao espírito colaborativo, ao trabalho em equipe, à capacidade de liderança. Ao passo que a predileção para esportes individuais sugerem personalidades mais introspectivas, centradas no autodesafio e na capacidade de superação a si mesmo.

Todas essas inclinações devem ser respeitadas e jamais impostas por quem quer que seja. Ao contrário do que possa parecer, a pressão familiar para que a criança se destaque nesse ou naquele esporte, a longo prazo, poderá configurar mais desestímulo que um encorajamento. Nascemos para a liberdade. Quer queiramos ou não, ela é ínsita a cada um de nós.

Por isso, tanto faz se somos ou não os primeiros. Tanto faz se subimos ou não no pódio. O importante é estar bem, estar feliz com a forma como jogamos. No palco da vida e no palco dos esportes.

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Regiane Reis
Mestre em Direito Constitucional. Autora do livro "O empregado portador do vírus HIV/Aids". Criadora do site pausa virtual. "Buscando o autoconhecimento, entendi que precisava escrever sobre temas universais como a vida, o amor e a fé". É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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