Quando alguém diz “se cuida” é porque sabe que em algum momento você pode se distrair e cuidar mais dos outros do que de si mesmo. Cuidar do outro não é pecado nem crime, desde que você esteja em dia com o seu amor próprio.

Amar a si mesmo é um exercício diário que nos coloca em consonância com o ser que nos habita. Mas, antes de se amar, você deve se conhecer, e se amar pelo que descobrir. Não importa o quê.

O amor próprio não é autoexplicativo nem vem com bula. O amor próprio não sente culpa pelo que vê. Não acusa o reflexo no espelho. Não ataca. Aceita o que é, e ama. Apenas ama.

Se há algo a ser transformado, não se ofende. É paciente. Ama com o problema em vigência e ama ainda mais com a resolução, com o avanço, com a vitória.

A descoberta do amor próprio se dá pelas vias mais improváveis. Às vezes, você o descobre por meio de uma fratura exposta na alma. A fragilidade desperta o amor que deveríamos nos doar todos os dias. Usamos o estoque de amor para estancar o sangramento e descobrimos que não é preciso buscar amor fora de nós para aplacar o que dói.

Quando nos deparamos com os machucados mais doloridos, descobrimos em nós mesmos, o remédio e a cura, e iniciamos o flerte com o amor, o próprio.

O autoconhecimento não oferece todas as certezas, mas abre vias para caminharmos por dentro de nós sem nos ferir com os cacos de outras guerras porque já sabemos quais as estradas que nos conduzem aos abismos, e só iremos lá com o preparo necessário. Sabemos que temos a ferramenta primordial, o amor pelo que somos, e assim, não tememos a queda livre, pois seremos capazes de levantar com classe a cada descida.

O amor próprio recupera a íntima carícia, que às vezes, oferecemos aos egos alheios, e esquecemos de nutrir a nossa alma, que padece pelos cantos do ser. O amor próprio não é aquela voz que diz “se cuida”. Ele é o próprio cuidado.

 

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Ester Chaves
Ester Chaves é escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-Graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participou de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. É colunista nos sites “CONTI outra, artes e afins”, “A Soma de Todos os Afetos”, “Escritos Meus” e “Fãs da Psicanálise”.



5 COMENTÁRIOS

  1. Eu sempre tive pouquíssimo apreço por mim mesmo e, como consequência, minha autoestima sempre se arrastava no chão. Eu me considerava pouco importante e não merecedor de qualquer atenção. Eu não gostava de elogios, pois eu considerava todos eles mentirosos – imaginava que as pessoas só falavam coisas boas para que eu me sentisse melhor. Me sentia um peso para a minha família e cheguei a tentar até suicídio – e o fracasso em conseguir isso fez com que eu me sentisse mais inútil ainda, já que “nem para isso eu servia”.

    Muito tempo depois, tive mais uma crise onde eu não conseguia parar de pensar, novamente, em meios para me matar. Antes que eu acabasse concretizando isso, decidi procurar ajuda e iniciei uma terapia. Só então eu fui entender o quão importante é o amor próprio. Hoje eu tenho autoestima! Hoje eu perdoo a mim mesmo pelos meus erros e às vezes até rio deles. Hoje estou aberto a elogios e críticas. Hoje as ideias suicidas sumiram.

    Enfim, só que comecei a amar a mim mesmo é que eu comecei a viver.

    Obrigado pelo texto, Ester – esse é um assunto importantíssimo mas, infelizmente, muito ignorado na nossa sociedade atual.

  2. Mauro,

    Que bom saber que, de alguma forma, o meu texto contribuiu para reafirmar o que você descobriu a respeito do “amor próprio”. Desejo muito sucesso nessa “nova vida”. Que os seus sonhos sejam sempre renováveis! Reinvente-se! Grande abraço!Gratidão!

  3. Lindo comentário Mauro!
    Hoje me sinto bem como vc era antes, mas quero mudanças quero me sentir bem e quero fazer os outros se sentirem assim tbem. No momento sofro muito, ainda permito que o outro me machuque, mas estou me tratando e espero o resultado…
    Obrigada pelo texto Ester, fiquei emocionada e ao mesmo tempo me fez enxergar por esse momento que tenho valor.

  4. Oi Ester! Sou a Juliana e confesso que até hoje não aprendi a ” me amar”, faço terapia com uma psicanalista que vem procurando me ensinar sobre o “amor proprio”, pra mim quando as pessoas me dizem que sou ” bunita” acho que é da boca pra fora…não me acho bonita, costumo elogiar “amigas” Mais na verdade não recebo nem a metade do que falo! Admito que falta em mim amor proprio e que não sei o que é de verdade..quero sentir esse amor proprio de verdade, vindo de dentro de mim, nada mais da boca pra fora! Peço ajuda pra entender melhor sobre o ” meu amor proprio” ,não deixar que certas pessoas me menosprezam mais, me coloquem pra baixo, estou cansada de ser depois dos outros, de nunca conseguir nada, enquanto as pessoas conseguem e ainda irem de mim…lerei mais seus textos pois esse assunto me chama toda atenção!

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