Eu, como boa romântica, sempre acreditei que para tudo na vida existe conserto, menos para a falta de amor. Sempre discursei orgulhosa sobre isso e incentivei as pessoas a não desistir de nada supostamente onde havia amor envolvido. Mas foi num desses dias que me fiz linda só para vê-lo, e não o vi, que eu percebi: só amor não basta.

Mesmo muito amor.

Percebi não apenas pelo fato de me arrumar para ele, mas de largar tudo, pegar um voo para encontra-lo, e no tempo entre o pouso e a decolagem tudo desandar, DE NOVO.

Uns vão dizer que se é assim é porque nunca foi amor, mas não cabe aqui explicar esse sentimento, nem provar a ninguém toda a vontade que temos um pelo outro, apenas o porquê desistir dele. Duas pessoas que se apaixonam perdidamente e não conseguem ficar juntas por uma simples incompatibilidade de gênios.

Eu passei um tempo acreditando que a culpa era dele, que era difícil, arrogante, orgulhoso e não queria ceder. Acreditava que por ser mimado e dono da razão o problema estava nele.

Depois ele me fez acreditar que o problema era eu, literalmente. Passei um tempo remoendo isso. Jogou na minha cara tantas vezes minha instabilidade mental, me qualificou além de problemática, louca e orgulhosa. Também boca suja, o que de certo eu era. Ainda sou e não vou mudar.

Eis a questão. Eu acreditei nele e tentei ser diferente, me tornar uma pessoa melhor. Não queria ser esse alguém estúpido de que ele tanto falava. Tentava não discutir, concordar, brincar, ceder, mas mesmo quando eu permanecia calada as discussões continuavam. Eu dava o melhor de mim, mas não era o suficiente. Então eu entendi que a culpa não era dele, mas também não era minha. Ele tentava ser melhor, eu tentava ser melhor e na nossa razão e consciência éramos ruins um com o outro.

Terminamos.

É engraçado como a vida se mostra. Acreditava que para um relacionamento terminar existiam alguns motivos padrões, como desrespeito, traição, falta de amor, falta de sonhos comuns, etc. Nunca pensei que terminaria um relacionamento onde nenhum desses motivos se aplicaria. Parece um desperdício não é verdade? E é. Nada faz sentido.

Tornamos-nos competitivos em praticamente tudo, inclusive nas culpas, e isso desgasta, quebra, destrói. Mesmo sobrando amor falta paz de espírito. E amor tem que ser simples, tem que ser fácil, tem que ser doação, não competição.

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Tentei culpar os signos e buscar uma explicação astrológica para os nossos problemas, fui atrás de ascendentes, sol, lua e qualquer astro que pudesse ajudar a reverter este quadro, mas não havia solução. Era a hora de abandonar aquele encaixe perfeito e abrir mão do homem da minha vida.

Existia amor, muito amor, mas percebi que só amor não basta quando deitei sozinha sentindo falta do seu abraço, morrendo de um frio angustiante e mesmo assim não consegui mover uma palha para tê-lo comigo. Porque não importa o quanto eu o queria, eu me queria mais. E com ele eu era nula. Amava e recebia amor, mas não me amava tanto assim. Porque eu não podia ser eu, ele queria algo diferente. Sentir falta dele dói, mas dói muito mais sentir falta de mim mesma.

O amor deixa ser, deixa estar, deixa opinar mesmo sem concordar, ou concorda mesmo pra agradar de vez em quando. O amor permite, não omite. E acredito que tudo daria certo se ele quisesse mudar e não estivesse pensando neste exato momento o MESMO sobre mim. É muito louco não é? Temos opiniões iguais um sobre o outro. Quem está certo? Falta espelho para mim ou para ele?

Pouco importa.

Se só amor bastasse não estaria fazendo essas perguntas. Somos aparentemente dois seres iguais e incompletos que na busca por se completar um no outro, transbordaram no seu próprio orgulho.
Só amor não basta mesmo, ou será que nunca foi amor?

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Mia Coutinho
Publicitária por formação, aeromoça por opção e escritora por paixão. Virginiana, perfeccionista, mãe do Henri. Entre fraldas e mamadeiras, entre pousos e decolagens, entre artes e artimanhas, ela escreve. Escreve porque para ela, escrever é como respirar: indispensável à vida! É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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