A woman takes part in a protest in Mexico City, on November 16, 2014, in demand of the safe return of 43 missing students. Rocked by the presumed massacre of 43 students who disappeared in late September, Mexico has appointed a new head of human rights to lead the violence-plagued country's abuse-investigating body. AFP PHOTO/Alfredo ESTRELLA (Photo credit should read ALFREDO ESTRELLA/AFP/Getty Images)

Um em cada quatro jovens legitima a violência no namoro, considerando normais ou aceitáveis atos de violência física, psicológica e sexual, entre outros tipos, indica um estudo nacional apresentado recentemente pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).

O estudo – que tem como amostra 5.500 jovens com uma média de idades de 15 anos provenientes de todo o território nacional – revela também dados sobre vitimização, sendo que 19% dos inquiridos, ou seja cerca de um quinto, com maior incidência nas meninas, disseram que tinham sido vítimas de algum comportamento de violência psicológica.

Em conferência de imprensa a presidente da UMAR, Maria José Magalhães, vinculou a importância da realização de estudos e de campanhas sobre violência no namoro pois “sabendo o que elas e eles pensam, podemos trabalhar a legitimação que é um indicador de uma eventual violência doméstica no futuro”.

O estudo desenvolvido pela UMAR inclui também, e pela primeira vez, análises sobre violência através das redes sociais e sobre atos de perseguição.

Assim, 28% dos inquiridos não reconhece como violência situações de controle como proibir de sair sem o companheiro ou de falar e estar com um amigo, bem como obrigar a trocar determinada peça de roupa.

No que se refere à violência sexual, 24% legitimam este tipo de violência, sendo que 13% consideram normal a pressão para ter relações sexuais, sendo a maioria rapazes (22%) face às garotas (5%).

O relatório indica ainda que a perseguição, durante e após um relacionamento íntimo, constitui uma das formas de violência que oprime as vítimas, criminalizada desde 2015, no entanto a cultura patriarcal tende a relacionar estes comportamentos a “amor romântico“.

Quanto à vitimização, 19% dos inquiridos admitiram terem sido vítimas de violência psicológica, 15% de perseguição, 11% de violência via redes sociais, 10% de controlo e 6% de violência sexual.

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Focando-se na violência através das redes sociais, o estudo revela que há uma maior prevalência de rapazes a afirmar sofrer estas formas de violência (12%), ainda que também as meninas (11%) digam ser vítimas.

Sobre o insulto e humilhação ‘online’, 11% dos inquiridos, sem grandes diferenças entre rapazes e moças, dizem ter sido vítimas.

“Estes comportamentos de abuso ‘online’ são inquietantes” na medida em que cruzam aspetos de atos de insulto que se tornam públicos e podem tornar-se virais e ter persistência no tempo, tendo um “potencial de dano muito alto e indicam um uso das redes sociais como canais de abuso e opressão”, refere o relatório.

A UMAR também apresentou uma comparação com os números do ano passado – mas frisando sempre que a amostra de 2017 abrange inquiridos de um território mais alargado, uma vez que inclui Portugal Continental e Ilhas – registando-se um aumento de 10 pontos percentuais na vitimização psicológica (de 9% em 2016 para 19% este ano) e de três pontos percentuais no controle (de 7% para 10%).

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Em jeito de análise aos dados, Maria José Magalhães, lamentou que “a naturalização da violência esteja presente na sociedade em geral” e lançou alertas aos pais, educadores, docentes e instituições.

“A sociedade adulta é responsável pelas mensagens que são passadas à geração seguinte”, disse a presidente da UMAR que falava ao lado da secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, que, por sua vez frisou que “há uma cultura de violência que tem de ser combatida”, sendo a “grande aposta a prevenção e a consciencialização”.

Fonte: Jornal de Notícias

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