African woman supporting her Caucasian girlfriend, outdoors.

Você conhece aquela pessoa prestativa que sempre está tentando ajudar ao máximo as pessoas amadas? Até mesmo quando elas não querem, não precisam ou não deveriam receber aquela ajuda e atenção?

É fácil identificar: pode ser a amiga que vive cobrando atenção da outra que trabalha demais, e em contrapartida faz textão no Facebook ou dá lição de moral sobre como é ruim ser workaholic e o quanto a outra está perdendo a amizade; ou quem sabe a namorada que não se conforma com o jeito do namorado e tenta ajudá-lo a melhorar (mesmo que ele não queira) com incentivos e encorajamentos (!).

E, por fim, aquela pessoa que tenta mudar o seu jeito de ser usando manipulações diversas.

Ah… isso tudo já cansou demais a minha beleza.

Sabe, aceitar a realidade como ela é nem sempre é fácil. Isso engloba aceitar quem somos em nossa totalidade (com nossas qualidades, defeitos, sombras, desvios de caráter, maldades, etc.), assim como aceitar as pessoas exatamente dessa mesma forma, sem tentar promover mudanças forçadas, seja em nós, para sermos amadas, seja nas outras pessoas, para que então possamos amá-las de fato.

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Eu não queria te dizer isso, mas já dizendo: mudar outra pessoa, mesmo que você pense que é para o bem dela, nada mais é do que um motivo egoísta causado pela SUA vontade de ser mais feliz, não dela.

Talvez, realmente, ela precise de mudanças. A gente não sabe se Beltrana está viciada em drogas ou se Ciclano está destruindo a própria vida e isso te afeta direta ou indiretamente, só que, de qualquer forma, a vida é deles, não sua. Assim como alguém ficar enchendo a porra do seu saco pra você mudar, sem você de fato desejar essa mudança, também não é problema dessa pessoa.

Porque, sejamos sinceras, eu não sei se já fizeram isso com você, mas isso tudo é um saco. É não ser aceita pelo que se é; é estar em constante avaliação, e sentir como se nunca, NUNCA fosse o bastante; ou muitas vezes, é ter a sensação de estar numa eterna avaliação de desempenho no trabalho ou numa sala de julgamentos (sobre o que é certo ou errado no seu comportamento).

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E por fim, é sentir rejeição ou ressentimento da pessoa que em tese está tentando nos “ajudar”, já que a sensação não é a de acolhimento e aceitação, mas sim a de julgamento e crítica – e convenhamos, não tem nada mais frio e estéril do que isso.

Quanto mais tentamos focar na vida dos outros, menos olhamos para nossas próprias falhas, erros, sombras etc, todas as NOSSAS partes que precisam de aprimoramento.

Cuidar da vida alheia é tão mais fácil… Não digo em tom apenas de crítica ou sarcasmo, mas sim como alguém acostumada a fazê-lo.

Eu me acostumei a ser a amiga/filha/namorada que ouvia o problema de todo mundo e tentava arrumar, mesmo que com isso EU me ferrasse pelos outros.

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Só que consertar as pendências alheias ainda era muito mais fácil do que lidar com as minhas, admito. Sempre aceitei que despejassem tudo nas minhas costas, mesmo que fosse pesado demais. Assim, eu poderia ser amada por agradar os outros e, de quebra, não teria tempo para olhar para meus próprios problemas.

É foda admitir esse tipo de coisa, mas é verdade. Só que, no momento em que decidi tirar essas pessoas sugadoras do meu caminho, descobri que meu próprio jardim tem ervas daninhas e minha casa tem cômodos desarrumados, mal iluminados ou destruídos. E QUE NINGUÉM PODERIA ARRUMAR ISSO PRA MIM A NÃO SER EU MESMA.

Por isso que é mais fácil ajudar a aparar a grama do vizinho ao invés de se virar para a sua própria casa e ver, aceitar e começar a mudar o que precisa ser feito em você.

Então, depois de tudo isso, estou num processo de aceitação, de ver quem eu sou de fato, não somente minhas potencialidades ou quem já fui. Afinal de contas, se eu aceitar ficar ao lado de alguém que me ama pelo que eu posso vir a ser, essa pessoa não ama a mim, mas sim uma ideia de mim. E eu posso tanto me tornar presidente da república; depressiva; uma profissional do sexo ou uma dona de casa; entre tantas outras coisas. O que importa é quem eu sou hoje.

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O que importa é o que e quem as pessoas são, de fato, hoje. E caso você espere que elas mudem para que você seja mais feliz, mil desculpas te dizer isso, flor, mas isso é tirar a responsabilidade da própria vida e por na do outro.

Quem sabe, caso você deixe de cobrar a mudança do outro ou de si mesma, as mudanças não começam a acontecer naturalmente? Sem pressões. Sem cobranças. Só aceitação e amor.

*Texto publicado originalmente por Marcella de Carvalho no Site Lado M e reeditado com autorização do administrador

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