Lembro quando comecei a estudar italiano, já faz uns 10 anos, talvez um pouco mais. Eu estava empolgadíssima. Contei para um amiga ítalo-brasileira, que fala fluentemente e ela disse que eu não iria aprender. Explicou que não era possível na minha idade, que outro idioma a gente estuda na adolescência e não depois de adulto. Blábláblá…

Aquilo me deixou triste, porque contei esperando um incentivo e não um balde de água fria. Lembro que fiquei bem desanimada, mas não desisti. Fiz o curso todo e aprendi italiano sim. E depois do italiano, comecei a estudar outras línguas e faço também outros cursos. Gosto muito de estudar e continuo estudando. Acho que vou estudar sempre. Enquanto eu viver vou aprender tudo que me der vontade.

Eis que ontem estava lendo uma matéria sobre uma idosa, bem idosa mesmo, 94 anos, que colou grau na universidade. Achei tão lindo! Com aquela idade toda e ainda sente sede de saber. Quer viver, quer aprender. Não “entregou os pontos”. Acorda cedo e vai estudar. Tão lindo isso.

E tantas pessoas são como ela. Tenho uma tia que aprendeu a dirigir com mais de 50 anos. Ela disse que sentiu necessidade, contratou um instrutor e foi às aulas. Tenho um tio que fez faculdade também mais tarde. Estudei com pessoas na faculdade de Direito que não eram tão jovens assim, mas conseguiram concluir o curso. Conseguiram passar na prova da OAB e estão advogando.

É uma vitória superar uma barreira como estas. E não estou falando do aprendizado, estou falando do preconceito de quem acha que o mundo é dos jovens e que só eles possuem o direito de aprender. É estimulante ver tantas pessoas desafiando esse preconceito e conseguindo atingir seus objetivos. E o que todos eles têm em comum é a força de vontade. Uma força que vem de dentro, que muitas vezes falta aos mais jovens, que estudam determinado assunto, fazem determinado curso, apenas por imposição dos pais. Diferente deles, o adulto, quando decide que irá aprender algo, se empenha de verdade.

É ele quem está pagando, não tem porque “enrolar”. E o adulto aprende sim. Claro, já tem a cabeça mais cheia, tem preocupações, tem mil coisas a resolver, mas, com força de vontade, quando decide se empenhar, aprende sim e aprende qualquer coisa que lhe pareça interessante.

É muito bom isso. É muito bom ler estas histórias, seguir esses exemplos. E é fundamental absorver conhecimento (sempre e cada vez mais). É isto que mantém nossa vitalidade. É isso que nos dá ânimo para acordar todos os dias e encarar os problemas. E sim, dá de aprender qualquer coisa em qualquer idade. Seja uma língua estrangeira, seja dirigir um carro, voar de parapente, cozinhar e também é claro, escolher melhor os amigos.

“Viva como se fosse morrer amanhã e estude como se fosse viver para sempre.” Alguns dizem que esta frase é de Mahatma Gandhi, outros de Leonardo da Vinci. Bem, não importa a autoria, os dois aprenderam e nos ensinaram muito. São grandes exemplos a serem seguidos.

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Saíle Bárbara Barreto
Advogada. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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