No decorrer da vida vamos adquirindo experiência, boa ou má, angústia e alegrias. Tudo isso determina, em parte, aquilo que somos. O nosso mundo interno guarda todo esse conteúdo, seja consciente ou inconsciente, e, de uma forma ou de outra, todos esses aspectos da nossa natureza se expressam.

Tanto é que, em algumas situações, agimos fora do controle ou surgem emoções que parecem que não nos pertencem. No entanto, quando a tristeza, a dor, tomam conta de nós, entramos numa luta solitária.

Logicamente podemos contar às outras pessoas, poucas escutarão de fato, poucas se colocarão à disposição para ajudar e, se essa dor persistir, ficaremos sozinhos com ela. Os outros continuarão suas vidas, o mundo girando, os dias e as noites se seguirão, nada para por causa da nossa ferida, afinal, quem está paralisado somos nós, não os outros. Reclamar sem parar ou silenciar também não adiantará, porque se o fizermos poderemos ser julgados e condenados pelos outros, que mal sabem o que passamos em nosso interior.

Quantos suicídios acontecem e nos deixam perplexos, afinal, o indivíduo aparentava estar muito bem?
O fato é que nunca sabemos o peso que cada ser humano carrega em seus ombros. E o que nos resta?
Estaremos sentenciados com a solidão de nossos sonhos e frustrações? Qual a melhor atitude?

No fim das contas quem deve entender o que se passa, a intensidade e o quanto suportamos, somos nós mesmos. A cura da ferida sempre vem de dentro, o exterior pode nos auxiliar, mas a decisão sempre é nossa. Querer impelir os nossos monstros, tentar a todo custo jogar a nossa carga goela abaixo dos outros nunca resultará em algo bom.

Obviamente, se alguém se propõe nos socorrer, podemos aceitar. Ser humilde é benéfico, mas até mesmo isso tem seus limites. A solução mais indicada é olharmos para o nosso coração, verificar o que nos machuca e, depois disso, procurar a própria cura.

Vivemos numa época de apologia ao hedonismo, quem sofre é mal visto, considerado uma criatura fraca e vulnerável, e o que fazemos? Empurramos tudo para debaixo do tapete, até que um dia isso não será mais possível.

É exatamente nesse ponto que as circunstâncias podem ser muito perigosas e poderemos entrar num ciclo vicioso e perverso. Temos que cuidar das nossas dores e saber que são nossas, não devemos esperar que os outros a compreendam ou aceitem. Contudo, o mais importante é lembrar que sempre somos nosso próprio céu ou inferno, a alternativa é nossa e de ninguém mais.

(Imagem: Austin Human)

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Sonia Oliveira
Arteterapeuta, Bacharel em Filosofia(acd), professora de teatro e dança e acima de tudo curiosa em conhecer o mundo.

1 COMENTÁRIO

  1. Muito interessante! O ser humano vive a querer terceirizar as coisas, não pensando na sua própria responsabilidade e ainda esperando compreensão. Erramos e ainda queremos apoio. Sofremos e buscamos ser entendidos pelos outros, por algo que causamos ou não sabemos lidar.

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