Certo dia, o dono de uma mente um pouco “bagunçada” resolveu convocar uma reunião com suas emoções, foram elas: A Alegria, A tristeza, O sofrimento e Ansiedade.

Após as devidas formalidades, o dono daquela mente passou a explicar o motivo da reunião, dizendo que precisava organizar-se e dependia muito de todas as emoções que ali estavam, reiterando que havia bastante tempo que elas não tinham um relacionamento amistoso e que sempre a Alegria estava sendo sacrificada em detrimento das outras.

A primeira a falar foi a ansiedade, e revelou que ela estava muito tempo ali naquela mente pois acreditava que enquanto o sofrimento e a tristeza estivessem por ali, não queria deixar a mente sozinha com elas, pois temia que essas duas emoções jamais sairiam dali.

Depois dessa ilustre tese defensiva da ansiedade quem resolveu falar foi a tristeza, e essa revelou que havia ocupado aquela mente por culpa do sofrimento, que esta emoção a havia enganado, pois a chamou para um passeio, mas disse que era coisa rápida, então, quando percebeu, o sofrimento a tinha levado para aquela mente que ela, a tristeza, não queria ir, passando a culpar veementemente o sofrimento por toda a bagunça causada.

Passou então o sofrimento a falar, e como sua natureza, sua fala foi bem sofrida, e disse que não gostava de ser quem era, e nem o que causava naquela e nas outras mentes, mas infelizmente, ele existia e era constantemente usado, o que não conseguia por si só evitar, mas que já havia passado por outras mentes e percebeu que algumas delas o tratavam de forma diferente, o convidavam para um bate papo e passavam a saber o real motivo dele estar ali, o que logo era resolvido e por fim, ele se retirava, apesar de saber que algum tempo depois retornaria, mas quando retornasse, saberia que não iria mais demorar tanto.

O dono daquela mente, após ouvir tais relatos, virou-se para a alegria e perguntou se essa não tinha nada dizer.

A alegria deu um profundo e demorado respiro e então disse: – Sabe, sei que todas vocês parecem ser emoções ruins, confesso que não gosto da ansiedade, apesar dela existir, acredito que posso lidar com as outras sem você ansiedade.

Quanto ao sofrimento e a tristeza, eu não os culpo por ter me deixado a tanto tempo apagada, eu sei que elas existem e que inevitavelmente irão aparecer nas vidas de algumas mentes, mas para que eu possa ter vez, elas precisam existir, então, em alguns momentos eu entendo que não vou poder aparecer, mas como o sofrimento disse, se o senhor souber lidar com sua mente, talvez possamos ter um convívio harmonioso, sem que nenhuma de nós três necessitemos ser sacrificadas, e sei que assim, ficará mais fácil para que eu, alegria, possa ficar mais tempo sozinha na sua mente.

O dono daquela mente por um instante ficou pensativo, tentando entender como a alegria aceitara ser colocada de lado por alguns momentos da vida, enquanto que ele, o dono da mente, a queria reinando a todo o tempo.

Novamente então a alegria entrou em cena. – Senhor, você precisa entender que o sofrimento é inevitável, e inadvertidamente, quando ele chega, a tristeza vem junto, e quando elas chegam, por alguns instantes eu não consigo aparecer, e apesar de ser oprimida, eu compreendo. Então temos uma solução para que o senhor aprender a lidar com todas nós. Eu tenho uma amiga que sempre me ajudou, e nos momentos mais difíceis ela aparece e consegue resolver, ela é a RESILIÊNCIA.

Alegria esperta como sempre já imaginara que precisaria da tal amiga, e já havia avisado à resiliência para aguardar por perto, que logo logo ela sentaria na mesa também. E assim aconteceu. O dono daquela mente chamou a tal amiga da alegria para compor a reunião, mas só haviam 5 cadeiras, alguém teria que sair para a resiliência sentar.

O dono da mente então correu o olho por toda mesa redonda e então virou-se para a ansiedade e disse: – Ansiedade, eu não preciso mais de você, você apenas me engana o tempo todo, me levando a crer que as outras emoções são ruins e que elas jamais vão sair da minha mente, então ansiedade, não volte mais por favor.

Com a saída da ansiedade, logo a resiliência sentou-se à mesa das emoções, chamando a atenção para si, de todos que ali estavam. O dono da mente então percebeu que todas aquelas emoções a respeitavam e ficou curioso como aquilo acontecera.

A resiliência em sua primeira e única fala, disse ao dono da mente: – Meu nome é resiliência porque tenho a capacidade de lidar com o sofrimento e a tristeza, sem deixar que alegria fique apagada, por isso elas me respeitam e tenho a amizade da alegria, e antes que pergunte como não me encontrou antes, te digo que, para uma mente bagunçada é necessário uma reunião dessas para organizar as ideias e encontrar as soluções, e você dono da mente, viveu escravo da ansiedade, até que decidiu organizar sua mente e viu quem deve ocupar espaço na sua vida.

Moral da história: Todos nós em algum momento da vida vamos nos deparar com todas essa emoções em nossas mentes, e se dermos espaço à ansiedade, ficaremos cegos e inertes diante da necessidade de buscar soluções para os nossos problemas. É válido ressaltar também que não podemos evitar o sofrimento e a consequente tristeza em nossas vidas, mas podemos saber trabalhar essas emoções para que elas não nos paralisem. A alegria é a mais bela das emoções, pois sabe doar seu espaço nos momentos difíceis, e sabe que em algum momento vai voltar a reinar nas nossas vidas, e sabe que essas alternâncias será uma constante, mas vai chegar o momento em que estaremos tão resilientes que a alegria não ficará por muito tempo distante, mas sim, por alguns instantes apenas.

Não seja resistente às suas emoções, aceite-as e seja RESILIENTE!

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Ederson Lourenço
" Por mais que você vá pra longe, Deus não esquece de você".

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