“A tristeza e a Raiva chegaram a uma maravilhosa lagoa de água cristalina. Ambas decidiram tomar banho, despidas e submersas na lagoa.

A Raiva, apressada como sempre, incitou sem saber muito bem por que, banhou-se rapidamente e mais rápido ainda saiu da água. No entanto, desde que sua raiva é cega, ou ela não distingue claramente a realidade, nu e com pressa, vestiu as primeiras roupas que encontrou… Não eram dela, mas da Tristeza… E então, vestida de Tristeza, a Raiva se foi.

Com a sobriedade que se caracteriza a Tristeza, esta terminou o banho sem pressa, ou melhor, sem a consciência da passagem do tempo, e saiu preguiçosamente da lagoa. Ele descobriu que suas roupas haviam sumido. Já que a Tristeza estava envergonhada por estar nua, ela vestiu as únicas roupas que estavam à beira do lago, as roupas da Raiva.”

Dizem que, desde então, muitas vezes as pessoas encontram a Raiva, cega, cruel, terrível e zangada, mas se olharmos bem, descobriremos que é apenas um disfarce por trás do qual a Tristeza está oculta.

Esta bela história refere-se a como às vezes tristeza e raiva se misturam e se confundem, não só para os outros, mas também para nós mesmos. Saber diferenciá-las é fundamental ou não conseguiremos gerenciá-las de maneira assertiva e elas acabarão afetando nosso equilíbrio emocional.

Tristeza e raiva: duas emoções básicas e necessárias entrelaçadas pela frustração

Tristeza e raiva são emoções básicas, geralmente percebidas negativamente e socialmente censuradas, a tal ponto que nos esquecemos de que são emoções saudáveis, normais e até necessárias. É perfeitamente compreensível que vivamos com tristeza a perda de um ente querido ou que nos zanguemos quando somos vítimas ou testemunhas de uma injustiça.

Infelizmente, nos educaram para censurar e reprimir as emoções “negativas”, em vez de nos ensinar a entender sua mensagem e a administrá-las. Como resultado, nos sentimos ainda pior quando as experimentamos e, na tentativa de escondê-las de nós mesmos, negamos sua existência, deixando-as exercer sua influência do inconsciente. Portanto, não é estranho que muitas vezes a tristeza e a raiva se confundam.

Em muitos casos, a linha que une ambas as emoções é a frustração. Quando nos sentimos tristes com algo que nos aconteceu, mas que não podemos remediar, como a perda de algo ou alguém valioso, é normal que a frustração aconteça. Estamos frustrados porque não podemos fazer nada, e é fácil que essa frustração se transforme em raiva.

Portanto, tristeza e raiva são geralmente dois lados da mesma moeda, uma aparece escondendo a outra, uma para evitar a outra. Não queremos ficar tristes e “anestesiar” e alimentar a raiva, irritando o mundo. Em outros casos, apenas o oposto acontece, nós engolimos a raiva, porque assumimos que é uma emoção “negativa”, indesejada e escondemos atrás da tristeza, uma tristeza que também decorre do sentimento de frustração por não ser capaz de expressar abertamente o que sentimos.

É claro que esses mecanismos ocorrem abaixo do nível da nossa consciência, mas se desenvolvermos a granularidade emocional, podemos aprender a reconhecer cada emoção, o primeiro passo para administrá-las melhor.

Aprender a diferenciar a tristeza da raiva também nos permitirá ser mais assertivos em nossos relacionamentos interpessoais. Podemos olhar além do disfarce e perceber, por exemplo, que as respostas de raiva de uma pessoa são, na verdade, uma máscara para esconder sua tristeza ou medo.

(Autora: Jennifer Delgado Suárez)
(Fonte Original: rinconpsicologia)
*Texto traduzido e adaptado por Carolina Marucci, da equipe Fãs da Psicanálise.

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