Sem desespero, nada de spoilers aqui. Resolvi assistir La Casa de Papel, esses dias… Deixei todos meus amigos assistirem primeiro e me contar tudo o que acontece, como fazem sempre. É interessante, apesar dos super poderes premonitórios do Professor em quase todos episódios. E gostei dos atores também, me fizeram rir, gosto de gente que consegue me fazer rir.

Além disso outra coisa me fez pensar, é uma frase feita, nome de livro, de filme e etc… Não existe crime perfeito. Não existem crimes perfeitos, por uma questão básica, nós não somos perfeitos. Existem outras coisas feitas por seres humanos que podem ser consideradas perfeitas, mas é algo subjetivo. Não vem ao caso. O Professor elaborou um plano perfeito, executado por imperfeitos, inclusive ele. O que ele não conseguiu prever, já previsto pelo roteiro, era que pessoas traem a si mesmas.

Isso é nosso. Faz parte de nosso defeito de fábrica. A autossabotagem. Gostamos em alguns momentos de acabar com aquilo que poderia ter dado super certo. Não é preciso pensar muito para se lembrar de alguma vez em que as coisas poderiam ter evoluído muito, no entanto, nós, e nossos brilhantes instintos, colocamos tudo a perder. Seja um projeto pessoal ou uma paixão, temos vários planos perfeitos que foram por água abaixo. Vítimas de nós mesmos.

Tudo muito bem planejado, bem arquitetado, e que de repente dá tudo errado e ficamos parados tentando compreender em que momento foi que tudo saiu do controle e nada flui como queríamos. É fácil descobrir a falha. A falha é você.

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Não estou sendo negativista e dizendo que somos um erro, mas sim dizendo que tudo o que fazemos está sujeito a dar errado, ou a dar certo, isso não é novidade pra ninguém. Novidade é você, diante de uma falha, ficar com cara de “tacho”, surpreso, por aquilo ter dado errado. Pare e pense, se analise, onde tem um dedo humano, tem uma falha. Algo que mancha nosso plano perfeito.

Ás vezes fazemos isso inconscientemente. Construímos um muro, mas não vemos a hora dele cair, por algum prazer masoquista. Ganhamos dinheiro, e não vemos a hora de perdê-lo. Queremos um relacionamento que começamos pensando em quando ele pode terminar. Coisas de ser humano. Não fuja disso.

Não se culpe pelas diversas coisas que foram tão bem feitas, mas que deram errado.
Não acredite na perfeição de si mesmo. Acredite na evolução, na transformação, na construção de um si mesmo, que aceita melhor suas falhas, que compreende com maturidade que os outros também de inúmeras falhas.

Acredite nos imperfeitos… Isso evita a expectativa doentia e a frustração é mais aceitável. Se veja como falho, mas deseje acertar. Temos vidas de papel, que podem ser rasgadas e amassadas, mas que principalmente podem ser usadas para que possam ser reescritas.

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Lucas Sousa Ferreira
Psicólogo. Colunista do site Fãs da Psicanálise.


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