Não gosto de ir a lugar nenhum sozinha. Se for convidada para uma festa, quero ir até lá com um amigo, para não ter que passar pela porta sozinha. Quero alguém que eu possa seguir como um cachorrinho, alguém que me faça sentir um pouco mais confortável.

Ir a qualquer lugar sozinho – especialmente um novo lugar que nunca visitei antes – é aterrorizante para mim. Honestamente, qualquer tipo de situação social é terrível para mim.

É por isso que, sempre que posso, faço alguém falar por mim. Se eu precisar agendar uma consulta médica, pergunto aos meus pais se eles  ligam e agendam pra mim. Se meus amigos se encontram e pedem uma pizza, entregarei o dinheiro a eles quando ouvir uma batida na porta, porque não quero buscar pessoalmente.

Posso discar um número e atender uma porta sozinho, sei que posso, não sou incapaz – mas é muito mais fácil pedir a alguém que faça isso por mim. Caso contrário, tenho que perder tempo me preparando.

Não posso simplesmente dirigir até um lugar, sair do meu carro e caminhar até o prédio como uma pessoa ‘normal’. Eu poderia passar até vinte minutos no carro, tentando me convencer de que estou pronta para lidar com o supermercado, escritório ou salão de cabeleireiro.

A vida é mais fácil quando tenho alguém por perto para me ajudar, mas não sei se depender dos outros está piorando minha ansiedade. Se eu sair da minha zona de conforto com mais frequência, para me acostumar a agir como um membro funcional da sociedade.

Mas tenho a sensação de que nunca vou me acostumar, não importa o que eu me force a fazer.

Existem restaurantes que já visitei um milhão de vezes, refeições que pedi um milhão de vezes, mas ainda me deixa nervoso falar com o garçom. Eu ainda pratico essa ordem na minha cabeça repetidas vezes, para que eu não entenda errado. Se meus amigos tentarem conversar comigo enquanto o cardápio ainda estiver nas minhas mãos, eu só ouvirei pela metade, porque vou me concentrar no fato de que devo dizer palavras a um estranho.

Eu gostaria que pequenas coisas assim não me assustassem. Quero ser o tipo de pessoa que sorri para os transeuntes e faz pequenas conversas na fila do supermercado. Eu quero ser o tipo de pessoa que faz novos amigos em todos os lugares que vai.

Mas isso nunca vai acontecer. Pelo menos, não consigo imaginar que isso aconteça.

Minha ansiedade me faz sentir como se eu ainda fosse uma criança, como se eu tivesse metade da minha idade. Quero me achar de independente, mas como posso fazer isso quando tenho medo de sair de casa sozinha? Quando não posso ir a uma entrevista ou conversar em sala de aula sem ter um colapso mental?

Eu odeio no que minha ansiedade me reduz. Eu odeio como eu sou tecnicamente considerada uma adulta, mas ainda me sinto como uma criança.

*Texto traduzido e adaptado com exclusividade para o site Fãs da Psicanálise. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.

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