Bonito feito retornar à cidade da gente, olhar rostos conhecidos, lembrá-los quando eram jovens e sentir alegria. Feito ter esperança enquanto o mundo desiste, é bonito sentir amor.

O amor sentido aqui dentro da gente é bonito feito mirar a vida de cima do telhado de um orfanato antigo, habitado por crianças invisíveis. É feito olhar alguém pela primeira vez e sentir que a viagem acabou e que estamos de volta para casa.

Como é bom sentir a beleza do amor até na sorte grande dos pequenos bichos!
Feito voltar para casa, é bonito sentir amor. Feito alecrim, manjericão, erva-doce, guiné e espadas-de-são-jorge num canteiro pequeno e repleto, estalando vida no movimento ativo das formigas e cigarras, caramujos e minhocas, besouros e tatus-bola, e toda .

É bonito sentir amor feito os avós da gente envelhecendo na casa da infância, enquanto o mundo vai adiante. Bonito feito a casa antiga e a enxurrada de lembranças de quem viveu ali, de quem chegou, quem se foi e quem ainda vai chegar. Porque para sempre há de chegar alguém.

Sentir amor é bonito feito a alegria de um animal doméstico, um cavalo correndo num campo infinito, uma poesia quando nasce do nada, feito flor que rompe o asfalto. Bonito feito as sogras que não deixam de querer bem suas noras e genros quando os casamentos de seus filhos acabam. Feito as famílias que abraçam os que chegam. Feito um novo amor, as crianças e sua inocência, os velhos e sua esperança. Feito a vida, a Lua, a tardinha, as canções de amor e a flor de maracujá.

Feito eu e você. Feito nos bastarem para seguir adiante, o Sol lá fora e um coração fazendo festa aqui dentro, sentir amor é bonito. É bonito sentir amor.

(Imagem: Bruce Mars)

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André J. Gomes
Jornalista de formação, publicitário de ofício, professor por desafio e escritor por amor à causa. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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