A instabilidade emocional, a irritabilidade fácil, o medo da rejeição, a impulsividade e as explosões de raiva, fazem parte do dia a dia de um borderline.

Para quem convive com pessoas com esse tipo de personalidade parece ser bem complicado, pois são rotulados como pessoas instáveis, desajustadas e que provocam constantes brigas e conflitos. Entretanto, quando se ama uma pessoa, mais do que carimba-la como anormal, como uma pessoa problemática, é preciso compreendê-la. Ao compreender a dor do outro, interpretar o seu modo peculiar de ser e trata-lo como ser humano, com certeza você já estará fazendo um bem enorme.

É claro que quando você opta por namorar ou casar com alguém borderline, é necessário estar muito consciente do que você terá que enfrentar e do tanto de paciência e empatia que serão necessários. Já se você é mãe, pai ou parental bem próximo de alguém com essa personalidade, aproveite o que foi lhe colocado ao lado como aprendizado para a sua evolução.

Você pode perceber claramente os dois lados de um borderline. Dois lados? Sim, mas não são só eles que possuem um lado bom e um lado mau. Toda pessoa é assim. Mas não é tão simples pois o lado positivo, junto do lado negativo apesar de estarem presentes em todas as pessoas, no border eles são mais intensos e geralmente ele não consegue unir e conviver com esses dois lados.

O que o border precisa é aceitar cada um desses lados que coexistem nele, nos outros e canalizar as suas sombras com resignação. O erro está em confrontar, em lutar contra essa sombra. É preciso amá-la, apenas isso. Esse é um aprendizado doloroso, e você que ama uma pessoa com esses predicados pode auxiliá-la. Tolerância e paciência são as palavras chaves, lembre-se.

Para facilitar o relacionamento, o primeiro passo é encaminhar a pessoa para o tratamento adequado, tanto psiquiátrico, quanto psicológico. Você também precisará de um acompanhamento terapêutico, é essencial que busque forças para conseguir ajudar e conviver com o border. Também é preciso estudar e entender as características específicas da personalidade border para compreender como as pessoas border tendem a reagir e a se comportar diariamente.

É importante ter em mente que deverá tentar manter o ambiente dentro de casa calmo e tranquilo pois a pessoa border é prejudicada em sua capacidade de tolerar o estresse no relacionamento (ou seja: rejeição, críticas, discordâncias) e pode, portanto, se beneficiar de um ambiente calmo dentro de sua casa. A estrutura familiar harmoniosa e amável melhora o estilo de vida de qualquer pessoa.

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Os borders lutam emocionalmente a cada dia, é bem difícil de explicar o que sentem, mas pode-se resumir como: afeto descontrolado, intolerância à solidão e pensamento em preto e branco (os tais dois lados).

Perceba, pessoa com personalidade borderline tem medo de solidão e de rupturas em seus relacionamentos, por causa disso, situações simples como a viagem de férias de um irmão, por exemplo, pode ser um grande problema para o border que possui medo de ser rejeitado e esquecido. Assim, a ausência do outro é vista como um abandono o que pode levar o doente à dissociação, um sentimento estranho de inquietação.

Por isso, é inteligente que você mantenha uma rotina domiciliar, sempre atentando para um contato rotineiro entre familiares e amigos próximos, isso reduz o sentimento de abandono e rejeição.

Fique atento às ameaças de suicídio e às automutilações, características do border. Nesses casos lhe dê atenção, converse e passe um bom tempo com ele, compreenda suas angústias e aflições.

Ao invés de procurar fórmulas mágicas para não sofrer ao lado de um border, que tal deixar o tempo fluir na vida como tem que ser? Nada cai do céu, muito menos a felicidade plena, seja você um border ou não. O que falta para todos é acreditarmos mais em nós, na nossa capacidade de amar. No dia em que isso acontecer, amar um border não será mais um desafio, será simplesmente amar.

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Natthalia Paccola
Desde que começou os estudos em Psicanálise e Psicoterapia, a jornalista, bacharel em Direito e mestre em Ciências Naturais pela Unicamp,  Natthalia Paccola levanta uma premissa sobre a sua vida profissional: nunca aceitaria rótulos ou doutrinas acadêmicas. Mas é claro que sofre influências de vários pensadores.Sua grande fonte de inspiração como autoridade em levar Luz para o Bem através de mídias sociais, no entanto,  tem sido os seus próprios seguidores, cerca de 10 milhões que passam semanalmente pela sua Fanpage, Grupos, YouTube, Site, Instragram ou Twitter.

16 COMENTÁRIOS

  1. Convivi com um borderline que não aceitava terapia nem medicação psiquiátrica. Aí é difícil, porque você fica refém da instabilidade emocional da pessoa e não há amor, empatia ou compreensão que resista. Se a própria pessoa não reconhece que tem um problema e precisa de ajuda, o relacionamento é inviável…

      • De fato acredito que é muito difícil conviver com alguém assim, eu imagino que meu marido tenha o mesmo transtorno, estou distante dele por este motivo, o amo muito, temos uma bebê juntos e sinto por não conseguir ajudar, pois ele não aceita ir ao médico, me dispus a ir junto para acompanhar, já que eu tenho um nível de ansiedade alta fica mais difícil conviver, acho muito triste, pois me sinto impotente

    • – com certeza,só quem convive com um sabe o que é isso,sou avó e cuido de meu neto com tanto Amós,mas tem dias que fica complicado e me sufoca.

  2. É uma das experiências amorosas mais desafiantes, encantadoras ( e assustadoras) que alguém pode ter. Namorei durante mais de 5 anos e meio uma border, apesar de ainda não haver diagnóstico, pois ela só começou a se cuidar com terapia no fim do nosso relacionamento, mas tenho certeza por já ter lido bastante sobre o assunto e convivido intensamente com ela, avaliando as características as quais batem direitinho. É excitante namorar uma pessoa assim ou amam, ou odeiam 100% , seguem a lógica do tudo ou nada, pouco há no que diz respeito à ponderação. Porém, se a pessoa que conviver com alguém assim não tiver estrutura emocional e psicológica bem sólida, a casa cai, porque não é fácil em um relacionamento sério principalmente. De todo modo, namorar uma pessoa com borderline é uma experiência inesquecível e tem repercussões durante o restante de nossas vidas, além de lembranças extremamente boas e ruins. Namorar borderline é viver nas extremidades.

  3. É característica do borderline mentir sobre coisas importantes para que o namorado ou namorada não o abandone?
    Sinto que namoro uma pessoa que tem uma vida dupla, pois parece esconder certos assuntos de mim. Tem um lado sombrio que, por mais que tenha me contado (e sei que foi difícil contar), parece que ainda existe mais. Acho que de algum jeito continua se relacionando com a ex-namorada, não amorosamente, mas com certa intimidade (que não se confunde com uma bonita amizade que pode surgir com o término do namoro/casamento). Parece existir uma dependência, patológica talvez. Ele prometeu que não falaria mais com ela, mas continuou… Descobri, aí diz agora que parou de vez. Mas agora continuo duvidando. Me sinto perdida, tem me feito mal. Quanto disso é borderline, ou outro problema mental ou (desculpe a palavra) canalhice?

  4. Como conversar com a parceira sobre isso? Acredito que ela tenha esse transtorno, porém não sei como dizer isso para ela… pesquisei muito sobre. Eu a amo muito, mas é muito difícil aguentar as crises repentinas.

    • O ideal é fazer com que ela conclua sozinha que precisa de tratamento, de ajuda de um especialista (psiquiatra). Essa indução não é fácil mas com ajuda de meios de comunicação como artigos online é possível ajudá-la a concluir que tem o transtorno limítrofe / borderline. Mas vc precisa de tato e paciência. Nunca confrontar. Boa sorte.

  5. Eu sou borderline …é muito triste….tive um relacionando que fui abandonada e no meu atual…namoro .. Eu terminei…há pouco tempo…porque ele não me larga ,mas também não casa comigo.. Tenho caráter. Sou boa. Sou vítima também desse transtorno. …Então resolvi me tratar.. Com remédios.. E terapias… Creio que um dia serei amada como sonhei. Deus tem planos pra mim….

  6. Minha sogra é border e mora conosco há um ano e meio e digo que tem sido uma das piores experiências da minha vida. Faz pouco tempo que ela aceitou tratamento médico porém ainda não percebo resultados satisfatórios. Quem convive com um border tem que se cuidar muito, ter momentos de escape senão surta junto.

  7. Namoro há 3 anos , e meu namorado foi diagnosticado com o transtorno boderlaine , é muito difícil nossa convivência pois vivo sufocada e não consigo sair fora do relacionamento , sempre que terminamos ele vem atrás de mim , já me ameaçou várias vezes e fala em suicídio tbm . É muito complicado porque tenho dó e medo ao mesmo tempo , e pra piorar a situação ele bebe muito e fica mais agressivo ainda com o efeito do álcool .No dia 10/11/2018 saímos da cidade e fomos pra fazenda da família dele , chegando na casa ainda na estrada do nada ele começou a gritar comigo e me deu um tapa no rosto , eu com muito medo pedia a Deus pra ele parar com àquilo , e ele ficava ainda mais nervoso ao escutar eu pedindo pra ele acalmar … De repetir ele fala que vai me matar e começou a me enforcar ,desceu da camionete dizendo que ia pegar uma faca na carroceria para cortar meu pescoço, eu desci da camionete correndo tentando fugir para o mato ,no escuro mais ele consegui me pegar novamente e me enforcou de novo , de tanto chorar e pedir a Deus que ele não me matasse e pedindo explicação de tudo aquilo ele deu uma acalmada e voltamos para fazenda , chegando lá ele falava que ia me matar e matar os dois pião da fazenda tbm .. Até que ele jantou e começou a passar mal com a bebida e caiu no sono , dormiu a noite toda no outro dia diz não se lembrar de nada , eu contei o que havia acontecido ele chorou muito e pediu desculpas , jogou culpa das suas atitudes na pinga e me implorou que não largasse dele e pediu para que eu não contasse a minha família o que havia acontecido pq ele ia mudar e que me amava muito . Estou com muito medo pois não é a primeira vez ele ele fica agressivo comigo , mais desta vez foi o limite pq se não fosse Deus na minha vida eu não estaria aqui pra contar essa história. Peço ajuda pq não sei o que fazer , tenho medo de denunciar e vergonha de contar a minha família , não só vergonha mais não quero preocupar ninguém ,até pq toda minha família já havia dito que ele era uma pessoa estranha e perigosa , ele está na fazenda e volta final de semana e eu preciso achar uma solução para me afastar dele , sem que ele fique com mais raiva e tente me matar ou fazer maldade a minha família . Por favor me ajudem

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