As evidências legitimam as teorias ligadas à subjetividade humana. Uma delas se refere à autoestima: as pessoas que confiam em si mesmas e nas suas capacidades, conscientes e inconscientes, superam, com mais facilidade, os obstáculos e frustrações da vida diária.

Sabendo-se que cada um pode se sentir mais ou menos feliz, de acordo com o seu grau de maturidade e de equilíbrio emocional, pode-se designar como Potencial de Saúde Mental essa capacidade de lidar com situações de medo, de fracasso, de abandono e/ou de desamparo. Ou seja, quanto mais rápido o sujeito viver o luto e sair da angustia improdutiva, maior é o seu potencial de saúde mental.

Há acontecimentos que são impostos e que nos privam da opção de fazer alguma coisa para “consertar”, resolver ou remediar. A perda de entes queridos, do ano escolar ou do emprego, são bons exemplos de situações em que nos sentimos impotentes, pois nada podemos fazer… Não há como “voltar atrás”! E essa quebra da onipotência é uma das situações que ocasiona mais impacto a esse potencial de saúde.

Diante das situações supracitadas, é normal ocorrer um rebaixamento da autoestima, porém, quando o sujeito vive uma baixa autoestima crônica, ele torna-se uma pessoa com potencial de saúde mental pouco estruturado. E, consequentemente, estará sempre com uma sensação de fragilidade, desamparo e, em alguns casos, costuma punir a si mesmo por tudo que acontece de errado e, além disso, subestima suas próprias capacidades e nutre uma insegurança constante.

Manter a consciência de suas qualidades e ter a capacidade de seguir em frente parece ser a receita perfeita. Quem tem uma boa autoestima consegue motivar-se e não precisa das outras pessoas para ser avaliado. A culpa só tem utilidade em um primeiro momento: na avaliação do fracasso. Uma vez encontrada a resposta, ela deve ser descartada e o passo seguinte é “sacudir a poeira e dar a volta por cima”. O recorrente sentimento de culpa é péssima companhia!

O que vai determinar as reações, que são tão particulares, é a estrutura de ego de cada indivíduo e esse arcabouço é formado desde muito cedo, durante o processo de desenvolvimento infantil; além de, ao longo da vida, sofrer influências do meio social.

De uma forma bem peculiar, sinais dessa estrutura vão se repetindo durante toda a vida, como se fosse um clichê ou um “carimbo” de comportamento. Só mesmo as intervenções psicoterapêuticas e a maturidade da pessoa, que reconhece intimamente a formação desses sinais e anseia por mudanças, é que poderão interromper esse processo de repetição e, consequentemente, melhorar a autoestima.

Pode-se afirmar, ainda, que a autoestima está diretamente vinculada à capacidade de tolerar, ou não, a frustração. Pois, todo indivíduo cria expectativas sobre como gostaria que fosse a sua vida, mas alguns deles sentem dificuldades de lidar com a vida como ela realmente é.

Quem procura o processo psicoterapêutico para melhorar a autoestima, dá um grande passo para o crescimento e descoberta de seus potenciais positivos de saúde mental. O processo só não funciona quando a pessoa espera receber da terapia, os recursos que, de fato, ela não oferece. O esforço tem que partir de ambos, terapeuta e paciente… Não há milagre! É um processo que demora, exige investimento físico, emocional e financeiro, sem os quais não é possível mudar a realidade.

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Sônia Eustáquia
Colunista da Revista Atrevida cerca de 6 anos, tem formação e trabalho em Psicanálise e Terapia Ericsoniana. Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior, Psicologia e Psiquiatria da Infância e Adolescência, Neuropsicologia e Teologia. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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