Costuma-se dizer que, quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve. Fico imaginando aqueles buscam construir objetivos e metas com base em um futuro, mesmo que incerto, mas que os norteiam. Nos últimos dias, com a pandemia da COVID-19 podemos dizer que o norte de repente sumiu. Isso não significa, no entanto, que ele deixou de existir, mas que mudou de lugar e ainda não sabemos bem onde está. Sim, sabemos que o Mundo é VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), mas ele nunca foi tão VUCA quanto hoje.

Neste sentido, há aqueles que irão esperar o norte ressurgir, e há aqueles que construirão o futuro. Creio que nossa geração está tendo uma oportunidade imensa de construir o chamado “novo normal”, embora haja pessoas falando que não veem a hora de tudo voltar ao antigo normal. Porém, é preciso compreender que a vida como conhecíamos acabou. Você imagina, por exemplo, alguma empresa que não passe a considerar efetivamente que parte da sua força de trabalho continue a trabalhar através de home office, após a crise?

Dois temas sobre os quais tenho me debruçado nos últimos anos são o “Futuro do Trabalho” e o “Futuro da Educação”, onde abordo os pilares da Educação 4.0, quando os alunos aprendem através de projetos colaborativos e com recursos tecnológicos sendo usados de maneira criativa de forma a reduzir as barreiras entre o presencial e o online. Este é um modelo ainda desafiador, considerando-se o cenário brasileiro.

Diante de realidades como esta, costumamos lembrar da célebre frase do escritor e futurista norte-americano Alvin Toffler: “Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não podem ler e escrever, e sim aqueles que não conseguem aprender, desaprender e reaprender.” De fato, essa pandemia tornou ainda mais essencial para pessoas e empresas a capacidade de aprender continuamente. E agora é o momento de colocar isso verdadeiramente em prática.

Para o segmento educacional, essa necessidade é ainda mais urgente. De acordo com dados do Banco Mundial, em abril, em apenas três semanas, cerca de 1,4 bilhão de estudantes ficaram fora da escola em mais de 156 países. O UNICEF estima que na América Latina e no Caribe aproximadamente 95% dos alunos matriculados estão temporariamente sem aulas devido à COVID-19.

Com escolas fechadas, vários países têm intensificado seus esforços para mitigar a descontinuidade das aulas introduzindo o ensino a distância. Obviamente, muitos são os desafios, visto que essa estratégia depende de infraestrutura e familiaridade dos alunos e educadores com as ferramentas tecnológicas.

Já quanto às oportunidades, destaco as seguintes:

Transformação Digital nas empresas educacionais

Aquelas empresas que não aproveitarem este momento e não passarem por um processo de transformação digital dificilmente sobreviverão aos próximos meses. Uma pesquisa da consultoria americana Gartner, de setembro de 2018, indicou que mais de dois terços dos líderes empresariais acreditavam que, se suas empresas não se tornassem significativamente digitalizada até 2020, elas não seriam mais competitivas. O mesmo estudo revelou que os funcionários conectados são oito vezes mais propensos a ter alto desempenho.

Essa projeção se tornou realidade de uma forma inimaginável nestes primeiros meses de 2020. Independente da adoção de métodos híbridos de ensino, a transformação digital chega permitindo ganho de eficiência e otimização de diversos recursos, entre eles o tempo das equipes.

Uma dica é implementar metodologias simples e visuais na etapa de Design Thinking de Projetos e metodologias ágeis de Gestão de Projetos, como a Metodologia Scrum, para execução de projetos. O ponto crucial é realizar um acompanhamento efetivo da educação, pois é aí onde a maioria dos projetos falha.

Para a etapa de Design Thinking, sugiro o uso de ferramentas como Project Model Canvas e para o acompanhamento da execução sugiro uso de aplicativos como o Planner. Particularmente, tenho usado bastante estas ferramentas e metodologias para acompanhamento do home office das minhas equipes com o foco em Gestão de Processos e de Projetos.

Aprendizagem mediada pela tecnologia

Em que pese os inúmeros entraves a serem superados, acredito que estamos vivendo a hora e a vez da aprendizagem mediada pela tecnologia. A Educação 4.0 exige de nós o “learning by doing”, ou seja, que aprendamos enquanto estamos com a mão na massa. E isso nunca fez tanto sentido quanto neste cenário de crise e recomeços. Recursos tecnológicos dos mais diversos nunca estiveram tão disponíveis, permitindo uma interação e troca de conhecimentos nunca antes imaginada no ambiente virtual.

Não há mais de se pensar em uma educação totalmente presencial, desconsiderando todas as possibilidades do que o digital pode acrescentar.

Diversas instituições de ensino se depararam em março deste ano com o desafio de encontrar uma estratégia para continuar ministrando aulas em um cenário sem aulas presenciais. Quantas delas estavam preparadas para isto?

Várias usaram WhatsApp, e-mail e/ou ferramentas específicas de comunicação para enviar videoaulas e/ou outros materiais aos seus alunos, mas certamente as restrições de comunicação síncrona dificultou muito a vida dos estudantes. Acredito que as iniciativas mais bem-sucedidas passam pela transmissão de aulas com interação síncrona entre educadores e estudantes. Neste contexto, uma dica vai para o uso da ferramenta Microsoft Teams, que além de poder ser usada para a transmissão de aulas, tem recursos que possibilitam o agrupamento dos estudantes em salas de aula virtuais específicas, o envio e recebimento de atividades, calendário, chat síncrono e assíncrono além de diversos recursos de integração com diversos outros aplicativos atuando como se fosse uma loja de aplicativos como Apple Store e Play Store.

Geração de Valor para o Estudante

O objetivo maior das instituições educacionais deve ser gerar valor aos estudantes, permitindo que eles sejam protagonistas no processo de construção do conhecimento, incentivando o desenvolvimento de competências desta nova Era.

Neste cenário de pandemia, todas as instituições de ensino precisam fazer o dever de casa. Revisar o planejamento com agilidade e manter um bom canal de comunicação com todos os públicos são rotinas essenciais. Construir soluções e testá-las rapidamente é o único caminho possível neste momento de tantas imprevisibilidades. Neste quesito, temos muito que aprender com as startups e com o conceito de MVP (Produto Mínimo Viável).

No cenário pós-pandemia crescerá a necessidade espaços multidisciplinares que possibilitem a implementação de estratégias didáticas inovadoras. Tecnologias como realidade virtual, realidade aumentada, câmeras 360° e softwares para desenvolvimento de projetos colaborativos, inclusive com uso de games, devem estar disponíveis aos alunos. Para esta oportunidade, sugiro uma inovadora plataforma de conteúdos educacionais, integrados e interativos, com formação continuada de professores e ambiente colaborativo chamada SmartLab. Essa plataforma vem sendo usada no Brasil, como uma forma de transformar salas de aulas tradicionais em salas de aula 4.0 com relações custo-benefício interessantes e pode também ser usada de forma totalmente online.

Desenvolvimento de Soft Skills

Estudos sobre o Futuro apontam as competências comportamentais (soft skills) mais desejadas do contexto da Revolução 4.0. Comunicação, Resolução de Problemas complexos, Atenção aos detalhes, Pensamento Digital e Capacidade de adaptação são algumas das que se repetem constantemente. Dentre essas habilidades, sempre destaquei a Adaptabilidade, e, no momento atual, diria que ela é ainda mais importante. Reforçaria também que Pensamento Digital e Resolução de Problemas subiram muito na cotação e são imprescindíveis na construção do “novo normal”. As empresas devem investir no desenvolvimento dessas competências nos seus colaboradores e incluí-las em seus modelos pedagógicos, o que nos leva à quarta janela de oportunidades: geração de valor.

Este é um tema que gera vários desdobramentos que não só perpassam a área educacional, mas que também extrapolam suas fronteiras. Fiz uma provocação deste tema em um artigo chamado “Em que nossos filhos vão trabalhar?” disponível aqui no O Futuro das Coisas.

Aceleração do Futuro

O escritor israelense Yuval Noah Harari defendeu recentemente que a natureza de emergências como a do novo Coronavírus fazem com que processos históricos avancem muito rapidamente. Em todo o mundo, diversos estudiosos têm alertado exatamente para isto: a pandemia da COVID-19 funcionará como um “acelerador de futuros”. As mudanças que imaginávamos para os próximos anos, foram antecipadas.

Neste contexto onde novas soluções precisam ser apresentadas e implementadas muito rápida, eficiente e eficazmente para solucionar os novos problemas causados e/ou potencializados pela crise, que tal você tirar da gaveta aquela ideia ou sonho que você engavetou por não ser o momento adequado e reavalia-la neste novo cenário? É possível que este seja o momento adequado e que sua ideia possa ser implementada com rapidez superior ao que seria em outro momento. Como em uma corrida de Fórmula 1, os carros estão circulando em baixa velocidade por estarem atrás do carro de segurança que entra quando há algum acidente na pista. Em tempos de incerteza, sairá melhor quem tiver a capacidade de detectar novidades e mudanças incipientes, avaliar riscos e oportunidades. Então é hora de entrar no box, implementar uma nova estratégia e ganhar posições.

Autor: Raniery Pimenta
Fonte: ofuturodascoisas
Imagem: Andrea Piacquadio

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