Eu queria que se olhasse no espelho e visse a mulher incrível que eu vejo dentro de você, menina. Eu queria que se valorizasse e parasse de sofrer por meninos, cujo passatempo é narguilé e stories no Instagram. Eu queria que você reparasse nos homens que reparam em você. Ou não. Eu queria que você não se menosprezasse, se comparando tanto com outras. Você é especial, só por existir. Eu queria que parasse de se entregar a quem não se entrega a você. Eu queria que se arrumasse, pensando exclusivamente em você; E não em mostrar quem não é, por querer ser notada. Você merece mais que ser válvula de escape. Soa patético quando desabafa sobre esses caras que você sabe que só querem mais do mesmo. Mais holofotes, mais seguidores, mais contatos. Que não sentem, que desperdiçam as chances que você dá, que não se importam e nem fazem questão.

Eu queria que você driblasse esse sentir por ele e sentisse por você. Sentir que você pode ser quem quiser, ir onde quiser, vestir o que quiser… porque a vida é muito curta pra gente tentar agradar alguém. É uma grande, enorme, gigante perda de tempo. Eu queria que você deixasse o ego de lado. Eu queria que você cansasse dele e de os outros caras iguais a ele. E, principalmente, queria que toda essa fixação em sofrer por quem não gosta de você, virasse amor próprio.

Eu queria você se cuidasse, como cuida da vida dele. Garanto que o retorno seria mais eficiente. E mais bonito. Eu queria que deixasse de ser solitária, a ponto de mostrar a todos que está feliz, enquanto o mundo desmorona lá dentro. Eu queria que toda essa intensidade em gostar dele, se transformasse em autoconhecimento. Você veria que sofrimento é opcional, que somos nós mesmo que nos permitirmos nos afundar nas enrascadas que, muitas vezes, a gente mesmo é quem cria.

Eu queria que tirasse a futilidade da sua vida, porque nada disso te sustenta. Nem as festas, os músculos, as arrogâncias escondidas dentro de sorrisos bonitos, os abraços acompanhados de interesse, as viagens que fazem voltar pra casa mais triste, as conversas que você não apaga – relê antes de dormir. É involuntário se apegar e desnecessário manter.

Eu queria que, por um segundo, visse quem você é de verdade. E se, mesmo sabendo de todo o valor que tem e do mulherão que é, ainda assim, insiste nas decisões que você sabe que são erradas, assumindo que gosta de ser masoquista e que toda essa insistência em gostar de quem não gosta de você, é pura teimosa inflada; Assim assim, eu quero que você caia de volta para a realidade, antes que a ficha. Porque, quando a sua ficha cair, vai doer muito mais em você, que qualquer outra pessoa.

Eu queria que você se amasse por inteiro, pra não aceitar ninguém pela metade.

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Ana Carolina da Mata
Ela ama comer. Tem medo de apontar para uma estrela no céu e acordar com uma verruga no dedo. E também ama comer. Acredita que troca de olhares, às vezes, são mais bem dados que beijos de cinema. Não confia em pessoas que não gostam de animais. E ama comer. Tem medo do escuro e acha normal falar sozinha. Vive no mundo da lua e adora comer por lá também. É sagitariana, paulista, teimosa, devoradora de filmes, gulosa por livros e por comida também. Mas acha tolice tudo acabar em pizza, porque com ela, acaba em texto. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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