Apesar de toda a dor e toda a perda que estão envolvidas nesse momento, tempos que reconhecer que essa pandemia também tem nos trazido grandes lições: como tudo na vida, há sempre os dois lados.

Por exemplo, o coronavírus nos ensinou que que é possível trabalhar menos, ou à distância, e aproveitar mais o nosso tempo. O home ofice é possível para diversas profissões, muitas das quais nem tinha se imaginado. E o tempo que gastamos nos arrumando e nos deslocando para o trabalho pode ser muito melhor utilizado para estudar, para estar com o filhos, para fazer uma comida gostosa, arrumar a casa, fazer exercícios, meditar, ou, simplesmente, não fazer nada, o que também é muito bom – e necessário!

Que as pessoas têm mais talentos do que imaginam. Sim, a pandemia fez muito perderem os seus trabalhos – ou por não ter mais como exercê-lo no período ou por terem sido demitidos mesmo. E tiveram que se virar para garantir o seu sustento e de suas famílias. Então, passaram a fazer coisas que jamais imaginaram para ganhar dinheiro – ou, talvez, que sempre desejaram, mas nunca tiveram coragem. As pessoas, enfim, se exploraram, se permitiram. E isso trouxe descobertas maravilhosas. Muitos, ainda, apenas para ocupar o tempo ócio, também descobriram muitas aptidões que sequer faziam ideia. Viva o tempo livre!

Que todos temos algo para compartilhar com os outros. As lives, definitivamente, bombaram na pandemia. E não foram só as de músicas, e para angariar recursos. Muitas pessoas passaram a disponibilizar aos demais – sem olhar a quem – o que possuem de precioso: dicas, orientações, acalento, esperança. Um salve à internet e à conexão pelos mais variados meios!

Que há muitas formas de fazer tudo, basta explorar. Trabalho, estudos, compras, encontros com os amigos, até mesmo festas: não há fronteiras para nada. A distância é muito relativa. Para tudo há um jeito. E, muitas coisas, podem ser ainda melhores do que já são.

Que os nossos filhos não precisam de estímulos o tempo inteiro. Que as crianças aprendem a lidar com o tédio, se o deixarmos. Que elas não precisam passear todos os dias, ir ao cinema, ao parquinho, à casa das amigas ou da avó. Que elas ficam bem em casa, brincando sozinhas. Que elas se viram.

Que estamos todos interligados. Efetivamente, uma doença do outro lado do mundo logo pode estar aqui ao seu lado, te ameaçando. Não há origem, raça, credo ou localização geográfica que esteja imune. Temos que torcer para todos ficarem bem, para que possamos ficar também. E isso é lindo, se pararmos para pensar. Talvez nunca tenhamos desejado o bem de toda a humanidade com tanta sinceridade e intensidade.

Que, muitas vezes, ter dinheiro não adianta nada. O COVID nos mostrou que não adianta ser rico, ter bons contatos, status social ou o que quer que seja. Ele ataca indistintamente. E, não raro, nem grandes fortunas garantem uma vaga numa UTI. Você pode, simplesmente, morrer sufocado mesmo tendo toda a riqueza financeira do mundo. Precisamos, de uma vez por todas, olhar para o que realmente importa. Que é o que o dinheiro não pode comprar.

Que podemos nos reinventar. Sim, a pandemia nos fez nos reinventarmos nos mais diversos sentidos: relacionamentos amorosos, de amizade, de trabalho, com os filhos, com o mundo, conosco mesmos. A forma de consumir mudou. A forma de sair na rua. A forma de se divertir, de interagir, de relaxar. E não foi nada tão impossível. Estamos conseguindo! Quantas pessoas descobriram o contato virtual apenas agora? Quantas novas formas de viver? E quantas coisas que julgávamos ultrapassadas ressurgiram: vídeos antigos, fotografias, ligações telefônicas demoradas, olhar para o céu, sentir a brisa do ar, ouvir uma música com a alma…

Que precisamos, cotidianamente, olhar para nós mesmos. Há quanto tempo vínhamos vivendo naquele ritmo louco, ligados no automático, sem nem sequer olharmos para dentro de nós mesmos. Éramos robôs? Pré-programados? Íamos viver assim até quando? Nosso corpo e a nossa mente iram aguentar mais quanto tempo sem adoecer? Ou será que já estávamos adoecidos? Ora, o que mais importa realmente nessa vida somos nós mesmos.
Nosso verdadeiro bem estar. O vibrar entusiasmado do nosso coração. E é nossa responsabilidade olhar para o que ele está nos pedindo…

Que evoluir significa olhar além. Além dos automatismos de uma vida “moderna”. Além do que “a sociedade” espera de nós. Além do que achávamos que tínhamos que cumprir para sermos “bem-sucedidos”. Evoluir é conexão. Com algo maior. Com o todo, com todos, com o infinito, o sagrado, a fonte, o divino, ou como quisermos chamar. Somos tão maiores do que imaginamos ser…

Que nada é permanente. Nem saúde, nem trabalho, nem dinheiro, nem relacionamentos. A estabilidade é ilusória. Há muitas coisas que podem acontecer de uma hora para outra e mudar tudo. Nada está garantido e imune. Por isso, as nossas âncoras não podem estar em nada externo. Senão, desabaremos facilmente. O nosso pilar deve ser o nosso coração, a nossa fé, o nosso Ser.

Que precisamos estar abertos e dispostos. Como nada é permanente, não podemos nos fechar para a vida. Precisamos estar disponíveis a novas formas de ver as coisas, de ser, de viver. Mudança é movimento, e movimento é vida. Se ficarmos parados e fechados, definharemos.
Morreremos, aos poucos, em vida. E isso é muito, muito ruim…

Que necessitamos, urgentemente, resgatar nossa humanidade. Olhar para além das nossas necessidades, da nossa família, da nossa cidade, do nosso país. O que fizemos de errado – ou de certo – aqui, afeta o mundo inteiro. Física e energeticamente. Precisamos nos solidarizar. Somos todos humanos. Queremos, no fundo, as mesmas coisas. Caminhamos na mesma direção. Estamos todos conectados. Vamos fazer o bem!

Que o amor se manifesta das mais diversas formas. Pequenas gentilezas ao vizinho, ao colega ou, até mesmo, a um desconhecido na rua, são formas de amor. Se cuidar para não contaminar os outros. Manter o isolamento social. Lavar as mãos. Sorrir nem que seja com os olhos. Desejar, de coração, que todos fiquem bem. Torcer pela cura do planeta. Se isso não é amor, não sei o que pode ser…

Que há algo muito maior que rege a tudo, e precisamos nos curvar. Nem a ciência, nem a religião, nem a pessoa mais poderosa do mundo conseguiram, até o momento, resolver essa pandemia. São meses e mais meses em que o ser humano se sente, simplesmente, impotente. A única coisa efetiva a fazer é se recolher e esperar. Enxergamos, de uma vez por todas, que há algo muito grande que rege a vida. E esse algo grandioso, sem sombra de dúvidas, está nos trazendo muitos aprendizados com tudo o que está acontecendo. A nós, meros mortais, cabe aproveitar o máximo possível as lições que estão disponíveis com isso tudo que está acontecendo, mas, acima de tudo, nos curvar a essa força, entendendo, definitivamente, que não somos nós que temos o controle sobre a existência.

Que não há mais espaço para pragmatismos e fanatismos. Não há governante, político, líder religioso ou mestre espiritual que garanta a nossa vida. O nosso aprendizado, o nosso caminho e a nossa evolução só podem ser alcançados por nós mesmos. É uma tarefa personalíssima e intransferível. Então, não vale a pena perder tempo idolatrando ninguém. Claro que podemos ter nossas preferências e simpatias, mas ninguém será o nosso “salvador”, o nosso “garantidor”. Vamos cair na real!

Que não dá mais para deixar nada para depois. A vida é frágil. Não temos garantia nenhuma de nada. Chega de esperarmos para irmos atrás dos nossos sonhos. Chega de não dizer o que sentimos às pessoas. Chega de esperar o “tempo certo” para fazer a mudança que tanto desejamos. Chega de ser bonzinho, de fazer a vontade dos outros, de não querer desagradar. A hora é agora. Enquanto há tempo. Antes que seja tarde demais.
Que nós somos fortes. Enquanto há vida, há esperança, há uma chance, há fé. Cada um tem a força para enfrentar as suas dores. Sempre há uma saída, uma ajuda, um jeito. Sempre há um final feliz, e se ainda não encontramos o nosso, é porque não chegamos no final.

Que viver é uma dádiva. Sim, apesar de todas as dificuldades e complexidades do momento presente, estarmos aqui é muito especial. Estamos tendo uma chance singular na história da humanidade. Estamos vivendo um momento único. Vamos fazer valer a pena estarmos vivos. Vamos efetivamente nos conectar a esse algo maior que a tudo rege, vamos estar abertos e novas formas de ver as coisas, vamos resgatar nossa humanidade, vamos aprender as lições que estão na nossa cara, vamos evoluir.

Que um novo mundo está nascendo. Definitivamente, nada mais será como era antes quando essa pandemia acabar. Até porque, possivelmente, ela só vá acabar quando mudarmos de verdade. Um novo mundo nos espera, logo ali na frente. Vamos fazer valer a pena tudo isso que estamos passando. Vamos aprender a lição já, para não termos que voltar para a “escola” novamente depois. Vamos nos fazer muito melhores, desde já. Vamos fazer esse planeta muito melhor.

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Susiane Canal
Servidora pública de profissão, escritora de coração. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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