“Um amigo prova o seu amor quando faz uso medicinal do silêncio. Quando percebe o outro em estado de lágrima, se derrama para dentro e aperta os olhos para transmitir segurança. O outro sabe que na amizade a dor é ponte para dois abismos.

Se um sofre calado, o outro chora alto, com direito a soluço e apresentação cênica. A verdade é que a dor tem mania de espetáculo. Até mesmo o que chora para dentro vai pedir licença para desentupir os olhos no banheiro. Volta tentando disfarçar a cara vermelha e o inchaço dos olhos.

O outro que era matriz da dor, logo percebe o insucesso da tragédia. Oferece o abraço como abrigo. Os dois silenciam… é como se as duas dores dessem as mãos numa ciranda fúnebre. Nessa hora, só o silêncio faz sentido.

A “não-palavra” não é sinônimo de indiferença, mas de cumplicidade. O silêncio é a linguagem compartilhada do sofrimento. O silêncio faz compressa no batimento da dor. O silêncio é o prognóstico da cura.”

Compartilhar

RECOMENDAMOS


Ester Chaves
Ester Chaves é escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-Graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participou de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. É colunista do site “Fãs da Psicanálise”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here