Estamos vivendo algo nunca antes visto, muito menos vivenciado por nós. E é natural estarmos apreensivos. Talvez estejamos todos, através deste momento, sentindo, percebendo e aprendendo na prática, o que os autistas sentem quando as suas rotinas são quebradas. Sim, porque é isso que está acontecendo, nossas rotinas foram quebradas e temos que, como eles, nos adaptar a novas rotinas. E como passar por tudo isso?

Primeiro começando pela verdade, a verdade sempre é o melhor caminho. Explique para seus fiilhos de forma objetiva e clara o que está acontecendo, eles merecem saber. Pode ser de uma forma lúdica, pode ser de uma forma científica, pode ser de qualquer forma, mas fale a verdade. Você mais que ninguém conhece seu filho e sabe qual a melhor forma para que ele entenda o que está se passando. Aqui em casa eu criei um personagem: “O bichinho do mal que se gruda na mão da gente”, e que está lá fora, por isso temos que ficar em casa. E porque eu digo que ele está lá fora, primeiro para que ele se sinta seguro em casa, e segundo para que não queira sair. Já falei aqui sobre referência visual e pensamento concreto, quem acompanha minha coluna já leu que os autistas criam imagens para expressar seu pensamento concreto. Falar então de um bichinho do mal que gruda na mão da gente, que odeia água, que está lá fora e que para ele não grudar na nossa mão, precisamos lavá-la, faz com que o autista vá criando essas imagens na sua mente, transforme-as em pensamento concreto, e assim facilite a sua compreensão.

Segundo, precisamos nos adaptar a novas rotinas, sabemos que esse não será um período curto, que o isolamento social pode durar um mês, dois, três ou mais. É necessário então criar estratégias para que consigamos passar por esta quarentena, da mellhor maneira possivel. Assim como nossos médicos brasileiros estão buscando orientações dos médicos de países que já passaram pela fase em que estamos, nós também podemos buscar orientações de pessoas que estão na nossa frente, nesse processo de contaminação.

PRIMEIRA SEMANA: Clima de férias. As crianças estavam sem aulas, as pessoas não estavam entendendo muito o que estava acontecendo e, se, por um lado, esvaziavam as prateleiras dos supermercados, com medo que faltassem alimentos, por outro, aproveitavam para levar as criaças para passear ao ar livre, andar de bicicleta, num clima de quase férias.

SEGUNDA SEMANA: Música e tédio. O tédio começou a bater, mas ainda era facilmente quebrado. Foi a semana que vídeos com música começaram a viralizar na internet. Foi a semana da música na janela e nas sacadas.

TERCEIRA SEMANA: Tristeza. O silêncio começou a predominar. A sensação era da generalização de um estado deprimido. Não é depressão, mas é uma tristeza, porque não faz mais sentido cantar na janela, não faz mais sentido fazer vídeos engraçados, as coisas começaram a apertar e pesar mentalmente, porque ninguém estava preparado pra isso, ninguém sabia quanto tempo isso iria durar. E agora o decreto vai terminar e possivelmente vai ser prorrogado, porque os casos continuam aumentando. As prateleiras nos supermercados não estão vazias, não faltou comida, o problema não é esse. O problema agora é como manter a sanidade mental frente a tudo isso.”

Resolvi compartilhar com vocês esse relato porque, quem ler vai perceber em que fase estamos na nossa cidade, e isso foi mostrado através do número de pessoas nas ruas, e indo à praia nesse final de semana. Estamos no início disso tudo, nossa primeira semana começou na quarta passada, e depende de todos nós como será daqui pra frente.

Estamos em quarentena, mães e pais, não só de autistas. Nossos filhos estão em casa. Eles e nós precisamos fazer algo para que esse tempo seja proveitoso, e não nos cause tédio ou prejudique a nossa saúde mental.

Manter uma rotina diária tanto para nós quanto para eles é fundamental. Mantenha em casa o mais próximo possivel a rotina que tinham antes, atividades físicas e aulas principalmente. Respeite horários de estudo, por exemplo, claro que as cranças não vão estudar o mesmo tempo que na escola, mas é importante pelo menos ser no mesmo turno. Auxiliar e ensinar atividades da vida diária, nas terapias não era isso que aprendiam? Então? Vamos proporcionar isso a eles. Brincar de quebra-cabeça o tempo todo, assistir vários desenhos ou filmes no Netflix pode ser bom, mas só isso não vai ajudar nem a nós nem a nossos filhos.

Tenha um projeto para transformar em seu novo trabalho, tire do papel um projeto que você sempre quis fazer e não tinha tempo disponível pra executar. Algo que você precisaria dispor destes dois meses para colocar em prática. E não é fazer uma faxina ou ler um livro, é algo que demanda mais tempo e esforço. Um curso online, terminar o TCC, escrever um livro, no meu caso eu retomei o projeto do livro que tava escrevendo e que tinha parado. Pense em algo, coloque em prática e viva um dia de cada vez.

Não pense no que vai acontecer daqui a três meses, viva o hoje. Viva o agora!

Faça a sua parte! Fique em casa! E tenha certeza de uma coisa, TUDO PASSA!

(Fonte: diariodamanhapelotas)
(Imagem: Juan Pablo Serrano Arenas)

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