As taxas de mortalidade do coronavírus, que acumula pelo menos 1.546 casos confirmados no Brasil, aumentam de acordo com a idade. De 3,6% entre 60 e 69 anos, sobe para 14,8% entre infectados com mais de 80, indicam os dados de um estudo elaborado por médicos chineses.

Em alerta diante da vulnerabilidade do principal grupo de risco da doença, as casas de repouso, classificadas como Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), passaram a adotar novas práticas de proteção a seus residentes, entre elas a restrição de contato físico, cancelamento de atividades externas e a suspensão das visitas de parentes por tempo indeterminado.

Recomendada pelo protocolo da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a medida de suspender visitantes nos asilos é a que gera maior impacto na rotina dos idosos em regime de isolamento para evitar infecções pelo coronavírus. “Em geral, as pessoas mais velhas são muito afetuosas”, afirma a médica Joyce Duarte Caseiro, uma das fundadoras da rede particular Terça da Serra, que tem 30 unidades espalhadas pelo país e abriga mais de 500 idosos. “A gente percebe que elas sentem falta do calor humano e das trocas de carinho, principalmente nos períodos de reencontro com a família.”

Além de vetar por completo as visitações, as casas franqueadas à Terça da Serra também instruem todos os residentes a não se cumprimentarem com beijos e abraços. Desde 12 de março, um dia após a OMS decretar pandemia do novo coronavírus, os procedimentos de higiene nas unidades da rede mudaram drasticamente. Antes de começar o expediente, funcionários precisam lavar as mãos, braços e o rosto. Todos devem usar avental e máscaras, que são trocadas a cada duas horas. De meia em meia hora têm de lavar as mãos novamente, higienizando-as com álcool em gel. Uma equipe de vigilância por câmeras monitora o cumprimento do protocolo.

“Resolvemos ser radicais com as medidas de prevenção para não repetir o exemplo dos italianos, que agora estão sofrendo para controlar a epidemia. Temos de travar a entrada do coronavírus nos espaços destinados aos idosos a qualquer custo”, diz Caseiro. Na Espanha, outro país severamente afetado pela doença, uma estimativa do EL PAÍS aponta que o vírus entrou em ao menos 72 casas geriátricas apenas em Madri. Não há cifras oficiais, mas ainda de acordo com dados do jornal, estima-se que mais de 100 idosos morreram nestes locais com sintomas do coronavírus.

O jornal The New York Times também relatou neste final de semana o drama de uma residência para idosos nos Estados Unidos: em menos de um mês desde que a doença foi diagnosticada em um residente, 81 moradores testaram positivo para a Covid-19 e 35 morreram.

Para tentar minimizar a carga emocional das normas contra a doença, boa parte dos asilos decidiu flexibilizar os horários para os residentes conversarem com familiares por telefone ou aplicativos de celular. A Terça da Serra, por exemplo, tem organizado chamadas de vídeo em grupo entre os parentes, que começaram a receber fotos dos pais, tios ou avós exibindo mensagens como “envio abraços virtuais para vocês”. “A princípio, achamos que os familiares teriam resistência”, conta a diretora da rede. “Mas eles entenderam a gravidade da situação e estão colaborando da melhor forma possível.”

Márcia Soares, administradora de empresas cuja a mãe, de 72 anos, vive em uma casa de repouso na capital de São Paulo, diz estar “de coração apertado” devido ao surto de coronavírus. No último domingo, já não pode mais visitar a mãe por causa da proibição às visitas, mas tem conversado com ela quase todos os dias por telefone. “Da última vez que liguei, ela falou que está com saudade do meu abraço. É difícil ficar longe nesse momento, mas entendo que é o melhor pra ela até a epidemia passar.” Segundo um levantamento de fiscalização de entidades de atendimento de pessoas idosas produzido pelo Ministério Público de São Paulo, o Estado conta com mais de 1.500 ILPIs, com capacidade para atender cerca de 40.000 idosos.

Em 13 de março, a Promotoria de Justiça e Direitos Humanos do órgão divulgou uma portaria determinando a fiscalização de casas de repouso para idosos, por parte da Vigilância Sanitária, para atestar o cumprimento das medidas recomendadas pelo Centro Internacional de Longevidade (ILC). Ao contrário da SBGG, o parecer da entidade não é inflexível em relação às visitas, mas estabelece que todo visitante deve ter sua temperatura medida antes do ingresso nas unidades e, caso manifeste algum sintoma de gripe, será barrado na entrada. O manual ainda recomenda o afastamento de funcionários com tosse, febre ou dor de garganta, assim como a medição da temperatura corporal dos residentes duas vezes ao dia.

Tanto o protocolo da SBGG quanto o da ILC apontam a necessidade de isolar idosos que apresentem sintomas de Covid-19 em quartos separados e bem ventilados, com a imediata notificação às autoridades de saúde. “Nesses casos, o ideal seria testar os residentes com suspeita de coronavírus, mas, como o Ministério da Saúde não preconiza o teste, a recomendação às casas de repouso é garantir condições para o período de quarentena”, diz a médica Maisa Kairalla, membro da comissão especial Covid-19 da SBGG.

Até o momento, o único caso de infectado pelo coronavírus proveniente de asilos reportado à entidade é o de um idoso de 81 anos, que morreu na quarta-feira. Na semana anterior, ele havia ingressado em uma casa de repouso de Jundiaí depois de passar por dois hospitais particulares da capital. Os residentes do espaço que conviveram com a vítima por 48 horas estão em quarentena. Nas últimas semanas, ILPIs têm registrado aumento da procura por vagas para idosos. A Terça da Serra, de acordo com sua fundadora, fechou 15 novos contratos em menos de sete dias.

Apesar da blindagem contra o vírus pretendida pelas famílias, algumas casas encontram dificuldade para repor estoques de máscaras e produtos de higiene como álcool em gel, a fim de cumprir as medidas de proteção recomendadas. Com 14 instituições públicas de longa permanência sob sua responsabilidade, estruturadas para comportar até 480 idosos, a Prefeitura de São Paulo informou que está cumprindo as recomendações e orientou, por meio de decreto assinado pelo prefeito Bruno Covas na quinta-feira, que seus centros de acolhimento suspendam ou limitem visitas a uma vez a cada duas semanas.

(Fonte: brasil.elpais.com)

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