De que maneira você tem enfrentado as dificuldades, desafios ou frustrações que surgem permeando o seu caminho? Pare um pouco e pense sobre isso. É sério! Pense na sua reação diante do que dá errado. Existem milhares de reações, para não dizer bilhões. Cada um reage de uma forma subjetiva. Cada um tem seu modo de mastigar cada dor que surge. Porém existem padrões. Existem atitudes comuns a maioria.

Sua dor não é a minha, no entanto sofremos semelhantemente. O que traz algumas diferenças é a minha forma de ver a vida, a forma que meu foi ensinada a encarar as coisas. Os exemplos que eu tive. Talvez ao ouvir um “não” eu sinta uma pontada no peito, mas siga em frente porque a vida não para. E talvez você ao ouvir o mesmo “não”, sinta seu mundo desabar e sua vida paralisar. Quem é você no meio de todos “nãos”?

Observe atentamente o que acontece ao seu redor. Não precisa sair do lugar. Nem precisa olhar para você, por enquanto… Mas veja. Veja aqueles pais que não conseguem tempo para os filhos, ou não sabem o que fazer com aquelas crianças pequenas choronas e que não param em lugar algum. Olhe para eles! Usam uma forma de amenizador interessante, um sedativo velado, disfarçado de babás, de televisão ou de DVDs. E tem um que funciona muito bem: eles sempre dizem “sim” para os seus pequenos! Esse é o que eles mais gostam e o que mais surte efeito.

Agora veja um pouco mais a frente, quem sabe alguns anos depois. Se o seu moleque te enche o saco, dê um tablet para ele! Ou um vídeo game, ou uma aula de futebol, ballet, inglês, violão, culinária, robótica… sei lá! Mas encha o dia dele de coisas para afastá-lo de você! Encontrem-se apenas no final do dia quando todos estão esgotados e só um boa noite já é suficiente. Esses sedativos também são eficazes.

Vamos dar mais um salto no tempo. Agora seus filhos querem carros, namoradas, celulares, viagens, bolsas, cursos, sexo, sapatos, etc, e não ligam muito mais para vocês. Eles querem seu dinheiro. Um pandemônio está estabelecido e é claro que um “sim” para quase todas essas coisas é muito bem vindo! Afinal se livrar desse bando de adolescentes egoístas é um alívio. E se você não tem dinheiro, não tem problema, deixe ele ou ela sair, dançar, fumar, beber ou ficar com quem quiser. É mais fácil assim… Estes sedativos são excelentes. Aliviam vocês e eles.

Agora vamos avançar mais pouco. Opa não dá. Alguma coisa emperrou por aqui. Alguma coisa está impedindo que os anos passem. Impedindo que a vida prossiga. Ah, são os nossos sedativos. Eles estão entulhados pelo caminho. E como sei disso? Ah é só observar.

Olhe para qualquer um desses adolescentes ou jovens que ao sair do refúgio social que é a escola, não sabem o que fazer, porque não sabem quem são. Olhe para esses que de repente se depararam com um “não” numa entrevista de emprego e se desesperam porque sempre ouviram “sim”. Olhe para estes que ouvem uma crítica e se desmoronam porque sempre foram elevados nos mais altos pedestais dentro da própria casa. Vejam aqueles outros que sempre quiseram e tiveram tudo em suas mãos e que agora ao se deparar com a realidade doída mergulham em sombras de depressão e se escondem em si mesmos porque nem mesmo sabem falar o que sentem.

Isso! Não sabem falar! Engolem suas angústias juntamente de suas redes sociais e de seus celulares num quarto fechado e escuro. E para ajudar a descer tudo isso, é fácil vamos usar um sedativo. Só que dessa vez uma pílula real, um comprimido colorido que pode apagar tudo e produzir sensações fantásticas.

Agora podemos seguir adiante e imaginar a sociedade doente que estamos gerando em nossos ventres de indiferença, egoísmo, desespero por dinheiro e falta de tempo e empatia. Um futuro sedado pela tecnologia que assume a responsabilidade humana e pela farmacologia que se torna a nova “maçã do amor”.

Não sou contra remédios. Não sou contra se medicar o que realmente precisa de algo mais intenso para sobreviver. Existem buracos escuros que precisam ser iluminados com a ajuda de algum comprimido. Sou contra a atitude de se usar todos esses sedativos na esperança de calar aquele que está ao seu lado.

Antes de qualquer decisão, experimente algo simples: Sente-se perto dele ou dela, escute a respiração de vocês dois por alguns segundos e finalmente pergunte: “Você está bem? O que eu posso fazer por você hoje?”. Mesmo que naquele instante não exista nenhuma resposta, certamente você estará contribuindo para formar uma pessoa que vai sofrer muito na vida, mas que saberá dar muitos sorrisos sinceros ao longo da estrada que todos nós temos que compartilhar.

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Lucas Sousa Ferreira
Psicólogo. Colunista do site Fãs da Psicanálise.


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