Para obter uma leitura mais apurada da sua saúde e bem-estar geral, seria melhor analisar individualmente os vínculos e a estrutura do seu círculo de amizades, incluindo as redes sociais, de acordo com um novo estudo publicado pela revista PLOS ONE da Livraria Pública de Ciências da Universidade de Notre Dame em Junho de 2019.

Os pesquisadores Frank M. Freimann, Professor de Ciência da Computação e Engenharia em Notre Dame, Diretor do Centro Interdisciplinar de Ciências e Aplicações de Rede e Nitesh V. Chawla confirmaram o que várias ciências, entre elas a Psicanálise, já haviam dito:

Para se obter um melhor desempenho no nível de felicidade e saúde, é preciso reavaliar com quem estamos nos relacionando mais frequentemente. Já sabemos que somos praticamente formados psiquicamente pelos nossos cuidadores desde a fase intrauterina, pelo ambiente na infância e adolescência e quando adultos influenciados diretamente pelas cinco pessoas mais próximas com quem convivemos.

Hoje em dia grande parte das empresas dão aos seus funcionários Fitbits ou Wearables (rastreadores portáteis da condição física) geralmente em forma de braceletes que contam como anda o controle do estresse, equilíbrio emocional, frequência cardíaca (se aquela apresentação feita pela manhã, fez os batimentos subirem muito), glicemia, taxa de colesterol, número de passos que demos no dia, qualidade do sono, nível de atividade física, etc. Isso tudo não exatamente porque as empresas sejam boazinhas…podem até ser, mas o custo da saúde está se tornando um peso insuportável para a conta e como diz o ditado, é melhor prevenir.

Os pesquisadores juntaram esses dados físicos dos Fitbits com avaliações, permitidas pelos colaboradores, dos seus perfis e relacionamentos nas redes sociais e completaram as pesquisas e autoavaliações sobre seus sentimentos de estresse, felicidade e positividade. Chawla e sua equipe analisaram e modelaram os dados, usando tecnologias de inteligência artificial, juntamente com as características da rede social de um indivíduo, incluindo nível de instrução, centralidade, coeficiente de agrupamento em grupos e número de triangulações estabelecidas.

Essas características são indicativas de propriedades como conectividade, coerência, equilíbrio social, reciprocidade e proximidade na rede social. O estudo mostrou uma forte correlação entre essas estruturas nas redes sociais, frequência cardíaca, pressão arterial e nível de atividade.

Embora estudos anteriores tenham mostrado como crenças, opiniões e atitudes se espalham por nossas redes sociais, os pesquisadores da Universidade de Notre Dame estavam interessados no que a estrutura das redes sociais diz sobre o estado de saúde, felicidade e estresse.

O que descobrimos foi que a estrutura da rede social fornece uma melhoria significativa na previsibilidade dos estados de bem-estar de um indivíduo, usando apenas os dados derivados de dispositivos móveis, como o número de exercícios ou a frequência cardíaca” disse o Dr. Frank Freimann.

Esse tipo de análise conjunta proporcionou uma melhoria significativa na previsão da saúde e do bem-estar, em comparação com a observação isolada dos dados somente do Fitbit. Por exemplo, quando a estrutura de rede social é combinada com os dados derivados desses wearables (dispositivos portáveis) o modelo de inteligência artificial adotado alcançou uma melhoria de 65% na previsão de felicidade, 54% de melhoria na de previsão de saúde auto avaliada, 55% de melhoria na previsão de atitudes positivas e 38% de melhoria na previsão de sucesso.

Este estudo afirma que, sem as informações das redes sociais e das relações de amizade, temos apenas uma visão incompleta do estado de bem-estar de um indivíduo e, para ser totalmente preditivo ou poder derivar intervenções, é essencial estar ciente dos recursos estruturais da rede social“, disse Chawla.

As descobertas podem fornecer informações para os empregadores que procuram dispositivos de fitness portáteis para incentivar os funcionários a melhorar sua saúde. Entregar a alguém um meio de acompanhar seus passos e monitorar sua saúde na esperança de que sua saúde melhore, pode não ser suficiente para obter resultados significativos ou com propósito. Chawla disse que esses empregadores se beneficiariam de incentivar os funcionários a criar uma plataforma para postar e compartilhar suas experiências entre si. A estrutura de rede social ajuda a completar o quadro de saúde e bem-estar.

Num resumo conclusão do estudo, Chawla escreveu. “Quando ouvimos que os programas de saúde e bem-estar conduzidos por wearables em locais de trabalho não estão funcionando, deveríamos perguntar: é porque estamos apenas tendo uma visão unidimensional em que apenas damos aos funcionários os wearables e os esquecemos? sem dar um passo para entender o papel que as redes sociais e o círculo de amizades desempenham na saúde?

É onde devemos centrar nossos estudos e pesquisas, para confirmar que o círculo de nossas relações está diretamente interligado com nossa saúde física, psíquica e bem estar geral.

Journal Reference:

1. Suwen Lin, Louis Faust, Pablo Robles-Granda, Tomasz Kajdanowicz, Nitesh V. Chawla. Social network structure is predictive of health and wellness. PLOS ONE, 2019; 14 (6): e0217264 DOI: 10.1371/journal.pone.0217264

Materiais fornecidos pela Universidade de Notre Dame. Nota: O conteúdo foi editado, adaptado e traduzido por Genaldo Vargas, com autorização dos autores.

(Imagem: Duri from Mocup)

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Genaldo Vargas
Psicanalista, Palestrante, Professor Universitário, Viajante do mundo, curioso e eterno aprendiz..... É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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