Temos falado muito de como a nossa sociedade patriarcal oprime as mulheres das mais variadas formas possíveis e muitas vezes esquecemos de que os homens também são prejudicados – muito menos, mas são – pelo patriarcado e que incluí-los nesse debate é imprescindível.

Os homens em nossa cultura são ensinados a reprimir qualquer coisa que seja considerada feminina, e isso significa reprimir seus sentimentos e seu modo de agir sobre o mundo. Ensinam para os meninos desde pequenos que eles precisam engolir o choro, que não podem gostar de rosa, que devem socar os amiguinhos, que tem que gostar de futebol, que tem que ter namoradinha (de preferência várias) e inúmeras outras coisas.

Quando adultos precisam continuar engolindo o choro, precisam ser os provedores, precisam ser incríveis na cama, gostar exclusivamente de mulheres, precisam ser melhores que as mulheres, precisam ser corajosos (não podem demonstrar ter medo, “homem com medo de borboleta?”) e ainda por cima, precisam saber trocar o pneu. O machismo é agressivo com os homens e isso acompanha uma boa carga de tensão e sofrimento.

O machismo não tem como hábito matar homens, a não ser que esse homem beije outro homem no meio de alguma avenida. O machismo elege matar mulheres, porque odeia todas as que não se encaixam em seu asqueroso padrão, mas também odeia os homens que não correspondem às suas infelizes expectativas. E reprime-os. Não os espanca no chão do quarto (que era tão familiar ao casal), não os mata com armas de fogo, não os violenta nas ruas escuras, não os estupra. Mas mata, sim, dia após dia, sua liberdade e seus sonhos.

Será que não seria mais fácil se ensinássemos que todos nós temos lados femininos e masculinos e aprendêssemos a integrar essas duas facetas? Ninguém deve ser obrigado a nada por causa do seu sexo, todo mundo deve ser livre para ser o que é, ser autêntico.

É nossa obrigação social desconstruir o machismo, para que tenhamos homens e mulheres mais saudáveis no futuro e assim, as mulheres possam não ter suas vidas interrompidas por homens interrompidos.

(Imagem: Freshh Connection)

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Gabriela Richena Ferreira
Piracicabana, tem 26 anos, é formada em psicologia e é uma grande apreciadora das sutilezas da vida.

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