Queria te contar uma coisa bem séria meu querido, você partiu meu coração. E dessa vez foi diferente. Eu não chorei, não caí, e muito menos perdi a fome, uma pena, porque eu realmente precisava emagrecer alguns quilinhos.

Você deve pensar que essa é só mais uma ladainha de quem está na fossa e quer se fazer especial. Meu bem, você está redondamente enganado. Vou te explicar o porquê direitinho. O que eu estou sentindo vai muito além da dor típica de um coração destroçado. A queimadura dessa vez é de terceiro grau, já destruiu todas as minhas terminações nervosas, restando apenas a capacidade de me sentir completamente decepcionada.

E quando a decepção passar você sabe o que restará não é? Nada. E não há coisa pior que um espaço vazio dentro do peito. Você me deixou em uma época que não somos mais adolescentes imaturos e já temos idade para decidir o que queremos da vida. E você quis, ou melhor, você não me quis.

Vejo todos os dias, amores sendo deixados de lado, pessoas desistindo muito fácil de uma relação com respeito por qualquer dificuldade. Quando o companheiro mostra-se defeituoso, a primeira coisa que se escuta dos outros é: você não precisa disso, esquece e segue em frente.

As pessoas descartam o que pensam ser amor, sem nem sequer ter dado tempo de descobrir. Então isso vai virando rotina. Vai um, vai outro e depois mais outro até chegar a hora em que são doutrinados a viver sozinhos em desapego, porque não precisam de ninguém ao seu lado. A geração dos solteiros felizes e completos. Será?

Talvez você tenha acreditado nisso, não sei se apenas para se sentir mais forte e seguir em frente ou por puro egoísmo. É extremamente triste ser descartável para uma pessoa. Dedicar seus dias, a fazer alguém feliz e depois perceber que como um brinquedo rabiscado você será jogado fora, sem hesitação ou o mínimo de consideração. O adeus se dá por Whatsapp, ou por inbox do Facebook, sem olho no olho. Para mim, esse é o maior ato de covardia que existe. Doce época em que as pessoas tinham coragem de se olhar nos olhos e enfrentar as diversidades com dignidade.

O que vejo atualmente são os casais entrando e saindo das redes sociais fazendo juras de amor a cada semana para alguém diferente. Você sabe o quanto eu condenava este ato. Tal qual foi minha surpresa ao me encontrar ali, como uma qualquer, sendo arrancada de sua conta, vendo nossas fotos sumirem uma por uma num ato de fúria inconsequente. Não imaginava isso agora, não com você, não com nossa história. História apagada no tempo de um cochilo inocente. De futura esposa passei para um simples amor de Facebook. RELÂMPAGO. EXPOSTO. EXCLUÍDO.

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É tipo o caso da doença venérea a qual nos achamos imunes e quando menos se espera as feridas tomam conta. Tudo isso por falta de prevenção. Não me preveni, cometi o erro mais comum: complexo de invencibilidade. Quebrei a cara, de novo, em vários pedacinhos. Mas agora não há recuperação uma vez que já me encontro vazia. Eu, na minha humilde experiência realmente acreditei. Perdi-me no meu caderno de poeminhas e não levei em conta a época em que me encontrava, de relações superficiais. Vivemos um momento de inversão de prioridades. O momento da Desumanização da sociedade.

Só me resta te ensinar uma dura verdade. Todos nós somos seres rabiscados, não interessa onde e por quem. Somos imperfeitos, mas não objetos duros e frios que podem ser usados da maneira que quiserem e substituídos quando a primeira falha se faz presente. Cá existe sentimento e você não pode jogá-los no lixo por uma mera contrariedade.

Você pediu permissão para se instalar dentro do meu peito. Compartilhou sonhos e promessas. Olhou dentro dos meus olhos e me fez cúmplice. Mas então, desistiu tantas vezes que me fez perder a conta. Por qualquer defeito, enquanto eu, nem ao menos enxergava os seus. Você terminou, magoou, bloqueou e depois se arrependeu profundamente. Eu voltei para os seus braços mais de uma vez. Voltei a sonhar junto e dedicar minha vontade. Porque você, meu amor, nunca foi descartável para mim. Mas a cada descarte seu eu me anulava e diminuía.

Sei que me ama e se acovarda diante de tamanho sentimento, influenciado por um mundo incoerente e triste. Você me deixou triste também. Mas hoje, meu coração se parte por outro motivo. Sei que você voltará, como sempre fez, arrependido de sua decisão. Sei que prometerás novamente uma felicidade que nem mesmo sente. Mas isso não acontecerá.

Porque agora fui eu que te bloqueei. Fui eu que deletei nossas fotos, fui eu que te excluí da minha vida. E para mim, meu amado, que sou habitante de um mundo antigo, apegada ao velho amor e dona de verdadeiros princípios, não existe mais volta. Não sou seu brinquedinho rabiscado. Sou rabiscada sim e muito, mas não sou seu brinquedo, definitivamente.

*texto autoral, não reflete, necessariamente a opinião do site Fãs da Psicanálise

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Mia Coutinho
Publicitária por formação, aeromoça por opção e escritora por paixão. Virginiana, perfeccionista, mãe do Henri. Entre fraldas e mamadeiras, entre pousos e decolagens, entre artes e artimanhas, ela escreve. Escreve porque para ela, escrever é como respirar: indispensável à vida! É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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