Todos buscamos algo na vida. Às vezes, é difícil entender o que buscamos e, em muitos momentos, aquilo que buscamos vai mudando ao longo do caminho. No transcurso da estrada, transformamos a pessoa que somos e nossos antigos planos nem sempre nos interessam mais.

O fato é que buscamos ainda quando não sabemos que estamos a buscar e mesmo quando nos enganamos acerca do que precisamos.

Com efeito, em muitos momentos, para a nossa total surpresa, encontramos sem entender que estávamos aquilo a procurar. De repente, algo parece fazer especial sentido em nossas vidas e nos questionamos como não percebíamos determinado significado tão profundo e verdadeiro.

Para algumas pessoas, isso pode ser a maternidade/paternidade. Para outros, o encontro com uma filosofia de vida diferente, o exercício ativo da caridade, a convicção por uma causa justa, a mudança de valores e sentimentos, a companhia de um outro alguém que descobrimos amar, o trabalho exercido com amor e real vontade, dentre tantas imensuráveis possibilidades.

Contudo, nesse infinito processo de busca e, em meio ao turbilhão de enganos em que nos colocamos, acabamos nos desviando de situações que agreguem efetivo significado em nossas existências. Sentimos quando algo nos falta, quando determinada conjuntura não nos completa, despertando em nós um sentimento de vazio.

Notamos quando algo vai mal conosco, confrontando os nossos antigos valores e as nossas pretensas verdades, o que nos exige mudanças de perspectivas perante a vida, com um saldo positivo ao final, caso sejamos capazes de mudar a nossa direção. Nessa alternância de rota, percebemos quando algo em nós se altera de forma permanente, quando já não damos tanta importância a coisas que antes nos pareciam fundamentais.

E, sendo isso bom para nós, respiramos mais leves, retiramos peso. Entendemos que encontramos algo que, talvez, não possa ser definido, um sentimento que parece muito complexo, mas que, em verdade, é muito mais simples do que parece ser e que nos ajuda a viver melhor.

A aceitação a si próprio, por exemplo, sem máscaras, sem mentiras, sem vaidades, sem ostentações, com todas as nossas limitações e qualidades, parece-me ser uma das muitas melhorias que podemos realizar para nós próprios. Trata-se de um real presente que podemos oferecer a nós mesmos, mas sabemos que não é fácil e nem todos estamos preparados. Mas tudo tem o seu tempo e é preciso respeitar o tempo de cada um.

Quando permitirmos olhar o nosso reflexo interior, entendendo que doamos ao mundo o que há de melhor em nós e que não temos a obrigação de fazer com que os outros nos aceitem, mas sim a obrigação de nos amarmos, pois, dessa forma, seremos, também, capazes de amar o mundo, apesar de tudo…

Quando entendermos que a vida é uma busca incessante e que, quando encontramos aquilo que nos faltava, seguimos, então, em uma outra nova busca…

Quando nos for possível sentir que a necessidade de crescimento interior é intrínseca ao ser humano, não permitindo que paremos, que nos acomodemos…

Quando aceitarmos que o nosso relógio interno, em muitas ocasiões, está a 200km/h e que estamos correndo demais, que devemos diminuir a velocidade e a autocobrança pois assim o motor não aguenta e tampouco o nosso coração…

Então, a vida poderá ser menos corrida e mais sentida.

Não ficaremos tristes se não nos for possível comprar roupas novas, mas mais felizes em poder lavar a alma.

Não nos decepcionaremos mais se o planejado não ocorreu conforme a cartilha que escrevemos, entendendo que não somos nós quem determina a lição, mas sim a intrínseca, genuína e singular necessidade de aprendizado da alma humana.

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Regiane Reis
Mestre em Direito Constitucional. Autora do livro "O empregado portador do vírus HIV/Aids". Criadora do site pausa virtual. "Buscando o autoconhecimento, entendi que precisava escrever sobre temas universais como a vida, o amor e a fé". É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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