Segundo o Minidicionário Larousse de Língua Portuguesa,verdade é:1. Identidade de uma representação com a realidade; exatidão, autenticidade. 2. O que é certo, verdadeiro. 3. Princípio certo, constante; axioma. 4. Boa-fé, sinceridade.

Verdade, vocábulo constituído por sete letras e que contêm milhões de possibilidades.

É possível considerar a palavra dentro de dois principais contextos: na relação que se estabelece consigo mesmoe, em segundo, o quanto de verdade há quando se estabelece vínculos com os outros –os outros: da família, os amigos, os amores.

Mas e como é que é que a gente sabe quando o sentimento que liga uma pessoa à outra é de verdade? Tem como saber que aquela amiga é amiga de verdade mesmo, ou é só parceira para sair pra balada? É de verdade mesmo quando aquele broto fala que te ama, ou é só para te conquistar no primeiro encontro? O afeto entre pais e filhos é realmente genuíno ou é pré-estabelecido pelo vínculo sanguíneo?

Não parece haver garantias concretas de que as relações humanas vão permanecer constantes, imutáveis; não há garantias que o elo afetivo que une as pessoas vai sempre ser o mesmo, pois nem você é o mesmo pra sempre. E às vezes nem você mesmo consegue ser verdadeiro com os teus sentimentos. Não é possível estabelecer um contrato formal reconhecido em cartório nem tampouco estabelecer multas quando se trata de relações afetivas.

Entretanto, existem sinais, existem sensações, existem afetos que nos garantem que aquilo que tu tens com a tua família, com o teu marido, com os teus amigos, é de verdade mesmo. É autêntico e não precisou de contrato pra ser assim.

A sinceridade das relações está naquilo que não pode ser tocado, haja visto que não é feito de nenhum material concreto, e dessa forma não pode ser quantificado. Já pensou: te amo 30 vezes hoje mas ontem te amei 12 porque tu me magoou. Ou: te admiro 22 vezes porque tu tens alguns defeitos. Quantificar os sentimentos faz com que eles percam um pouco da essência.

A autenticidade dos sentimentos está naquele brilho no olho. Naquele olhar em que tu te vê refletido nos olhos dos outros, na aceleração dos batimentos cardíacos quando o telefone toca e tu estás esperando um telefonema para sair pra jantar. Nas palavras de carinho quando teus amigos percebem que tu não estás num bom dia e eles te fazem rir de doer a barriga. No convite da amiga para sair comer um sushi, num sábado de noite, depois de tu ter acabado o namoro com aquele guri com quem tu viveu 6 anos. No colo que a tua mãe te dá quando tu não recebeu aquela promoção do trabalho tão esperada durante o ano todo. A autenticidade do vínculo também está quando teu pai te aconselha, num puxão de orelha bem dado, a mudar o teu jeito de lidar com o teu dinheiro, pois tu estás no cheque especial mais uma vez.

Então, de verdade mesmo, a gente sempre sabe quando é, lá no fundinho. Às vezes a gente finge que não sabe, dá a cara a tapa e se esborracha, mas melhor assim do que com um contrato formal, que tem sua função, mas não quando se trata de emoção.




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