Imagine uma cena, de casais de amigos sentados em uma mesa, olhando seus filhos pequenos brincando em um canto. O seguinte diálogo acontece:

– Meu filho já está contando até 10 – Diz uma mãe.

– O meu já conta até 10, em inglês – Responde a outra

– O meu foi campeão na natação essa semana – Refuta o pai.

Infelizmente, ao imaginar o diálogo, você consegue pensar em ao menos uma pessoa que seria o primeiro a rebaixar o que seu filho ou eles mesmo são capazes de fazer.

Quando esse filho cresce, fazendo aula de inglês, de judô, natação, futebol e violão, tem uma disponibilidade infinita de informação, ficando sobrecarregado. Entra aos seus 5 anos na escola, que avalia ele pela capacidade de responder perguntas e alcançar uma nota. Estamos na geração que incentiva gênios a se acharem estúpidos por não saberem fazer o que eles não nasceram para fazer.

Os pais criam uma guerra entre si, querendo que seu filho seja melhor em tudo e do que todos. Criando adultos que não passam de idiotas convencidos de que são os melhores. E não apenas de que são, mas que possuem as melhores coisas.

As pessoas deixam de fazer e comprar coisas que realmente gostam, para fazer e comprar coisas que as colocam em uma posição social superior.

Um pequeno exemplo:

Suponha que você goste muito de celular. Que acompanhe sempre a última tecnologia, e procura ter o último modelo todos os anos. Você gasta seu tempo e dinheiro, para uma realização pessoal.

Ao adquirir o último celular, você se sente satisfeito para seu próprio uso. E não tem maldade nisso. Agora, suponha que na verdade, você só queira esse último celular para poder tirar uma foto no espelho e mostrar ao seu Facebook que você tem o modelo mais caro e atual.

Consegue perceber como isso é futilidade? Como chegamos a uma geração superficial que preza ter, a ser? Que preza número de coisas que você faz, e a relevância daquilo na sociedade, do que aquilo que você ama e faz bem feito.

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Uma geração que dá muito mais importância a um filho que joga bem futebol, do que a um que canta ópera ou pinta quadros. Que compete para ver quem faz mais e melhor, e não dá valor a quem se esforça.

A geração que entrou em guerra pelo sucesso, com o mundo no próprio umbigo, com adultos convencidos, mas que na realidade, não realizam nada.

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Não seja você um estimulador dessa competição invisível para ser o melhor “do que”. Seja o melhor para você mesmo e dê o melhor para os outros. Quem sabe, a próxima geração faça mais do que fale.

 

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Gabriele Sauthier
Bióloga, graduada na Universidade Estadual de Maringá, Mestranda no Programa de Biologia Celular e Molecular (PBC - UEM). É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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